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Suportemos

“Mas é preciso que a perseverança produza obra perfeita, a fim de serdes
perfeitos e íntegros sem nenhuma deficiência.”

Tiago 1:4

Detém-te um minuto no torvelinho das preocupações costumeiras e repara que deves o próprio equilíbrio à Paciência divina, a sustentar-nos em cada instante da vida, através de mil modos.

Muita gente, talvez, em te fitando na ternura do recém-nato, duvidasse da tua capacidade de sobreviver para a existência terrestre, mas Deus teve paciência contigo e conferiu-te o devotamento materno que te ajudou a ativar as energias do próprio corpo.

Entendidos em psicologia, em te anotando a intempestividade infantil, provavelmente desconfiaram da tua possibilidade de alfabetização, mas Deus teve paciência contigo e concedeu-te a heroica ternura de professores abnegados que te abriram novos horizontes no campo da educação.

E a paciência do Senhor, cada dia, permite, generosa, que tales plantas inermes, que te assenhoreis do suor e do sangue dos animais, que te apropries das forças da Natureza e que te valhas, indiscriminadamente, do concurso dos semelhantes para que te alimentes e mediques, restaures e instruas.

Lembra-te dessa Paciência Perfeita que te beneficia, e cultiva paciência para com os outros.

O companheiro cuja aspereza te ofende e o aprendiz cuja insipiência te irrita são irmãos que te rogam cooperação, e entendimento, e quantos te caluniem ou apedrejem são doentes que te pedem simpatia e consolo…

Mas para que colabores e compreendas, harmonizes e reconfortes é necessário que a tolerância construtiva te alente os passos.

À frente dos óbices de todo gênero, guarda a paciência que ajuda, e, diante dos ataques de toda ordem, cultiva a paciência que esquece.

Escuda-te, pois, na paciência para com todos, sem jamais te esqueceres de que a alegria dos homens é a Paciência de Deus.

(Reformador, maio 1959, p. 98)

***

Comentário de Haroldo Dutra Dias sobre o capítulo

                        A autoria da Carta divide a opinião dos críticos, embora a tradição remeta o escrito ao círculo de influências do Apóstolo Tiago Menor, filho de Alfeu e Maria Cleofas – parenta de Maria de Nazaré. Segundo Humberto de Campos, Tiago era irmão de Levi e Tadeu, muitas vezes nomeados nos Evangelhos de “irmãos do Senhor”, tendo em vista suas profundas afinidades afetivas com o Mestre, já que eram Nazarenos e amavam a Jesus desde a infância. (Boa Nova, Cap. 5).

Emmanuel comenta esse mesmo verso em três surpreendentes mensagens, revelando seu apurado senso hermenêutico, em especial seu domínio das nuances do idioma grego.

Examinando o versículo, verificamos a existência de uma palavra-chave sobre a qual todo o texto é construído –  “hupomoné“. Esse vocábulo pertence ao campo semântico das atitudes e emoções que expressam paciência, persistência, perseverança e resiliência.

O autor da Carta utiliza de modo intercambiável várias palavras gregas sinônimas, cujo significado gira em torno desse eixo, motivo pelo qual encontramos divergência nas bíblias que ora traduzem o termo como paciência, ora como perseverança, mas deixando escapar o sentido relativo à resiliência.

Neste episódio, o Benfeitor sugestivamente intitula o capítulo “Suportemos” chamando nossa atenção para os aspectos relativos à resiliência – capacidade de suportar, de resistir. Todavia, ao longo do texto utiliza a expressão paciência. No entanto, não a utiliza no sentido tradicional de “estado de calma emocional diante de provocações ou situações adversas”, mas destaca o sentido ativo dessa virtude.

A lição nos leva a refletir que a paciência ativa possui elementos da resiliência, uma vez que sabe esperar, tolerar, suportar não como alguém que se mantêm apenas calmo diante de uma adversidade, mas como um educador que usa do amor e da sabedoria para vencer as limitações e dificuldades, sem valer-se da violência.

A Providência Divina cuida zelosamente de cada um dos seus filhos, entendendo suas limitações e necessidades, e procurando supri-las através de uma rede de laços afetivos que envolvem indistintamente todos os seres da criação.

Assim, através dos nossos genitores, familiares, amigos, companheiros, amores, e adversários experimentamos a ação divina em nosso círculo de atividades, expressando a paciência e a providência de Deus nos caminhos infinitos da evolução espiritual.

***

Produção:  SER

Tecnico de Gravação:  Júlio Corradi

Voz:  Haroldo Dutra Dias

Finalização:  Júlio Corradi

Livro:   Palavras de Vida Eterna, Cap. 55

Revista: Reformador/Maio-1959, p. 98

Capítulo: Suportemos

Versículo:  Tiago, capítulo 1, versículo 4

Sete Minutos com Emmanuel – Episódio 48 –  Carta de Tiago, capítulo 1, versículo 4, comentário da Revista Reformador/Maio-1959, p. 98, e do Livro Palavras de Vida Eterna, Cap. 55, intitulado: Suportemos – LEITURA DO VERSÍCULO: Mas é preciso que a perseverança produza obra perfeita, a fim de serdes perfeitos e íntegros sem nenhuma deficiência (Tg 1:4)

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Transitoriedade

“Eles perecerão; tu, porém, permanecerás; todos hão de envelhecer como um vestido “

Hebreus 1:11

     Fala-nos o Eclesiastes das vaidades e da aflição dos homens, no torvelinho das ambições desvairadas da Terra.

Desde os primeiros tempos da família humana, existem criaturas confundidas nos falsos valores do mundo. Entretanto, bastaria meditar alguns minutos na transitoriedade de tudo o que palpita no campo das formas para compreender-se a soberania do espírito.

Consultai a pompa dos museus e a ruína das civilizações mortas. Com que fim se levantaram tantos monumentos e arcos de triunfo? Tudo funcionou como roupagem do pensamento. A ideia evoluiu, enriqueceu-se o espírito e os envoltórios antigos permanecem a distância.

As mãos calejadas na edificação das colunas brilhantes aprenderam com o trabalho os luminosos segredos da vida. Todavia, quantas amarguras experimentaram os loucos que disputaram, até a morte, para possuí-las?

Valei-vos de todas as ocasiões de serviço, como sagradas oportunidades na marcha divina para Deus.

Valiosa é a escassez, porque traz a disciplina. Preciosa é a abundância, porque multiplica as formas do bem. Uma e outra, contudo, perecerão algum dia. Na esfera carnal, a glória e a miséria constituem molduras de temporária apresentação. Ambas passam. Somente Jesus e a Lei divina perseveram para nós outros, como portas de vida e redenção.

***

Comentário de Haroldo Dutra Dias sobre o capítulo

      Nessa belíssima lição, também extraída do primeiro capítulo da Epístola aos Hebreus, Emmanuel desenvolve o tema central do livro Eclesiastes – a brevidade das formas materiais e o caráter imperecível de tudo o que se relaciona ao espírito imortal.

Falando em oposição, se no episódio 46 a mensagem girava em torno da condição sublime e espiritual do Cristo, neste episódio explora-se a brevidade da condição humana.

A lição já fora abordada pelo benfeitor no capítulo 28 do Livro Roteiro, intitulado Sintonia, em que afirma:

“Precisamos compreender – repetimos – que os nossos pensamentos são forças, imagens, coisas e criações visíveis e tangíveis no campo espiritual. (…) Energia viva, o pensamento desloca, em torno de nós, forças sutis, construindo paisagens ou formas e criando centros magnéticos ou ondas, com os quais emitimos a nossa atuação ou recebemos a atuação dos outros. Nosso êxito ou fracasso dependem da persistência ou da fé com que nos consagramos mentalmente aos objetivos que nos propomos alcançar”

Saibamos enxergar nos recursos colocados pela providência divina em nossas mãos a roupagem perecível destinada a disciplinar, moldar, e acrisolar nosso pensamento.

Nossos ideais, conceitos, ideias, sentimentos, inspirações se enriquecem e se aperfeiçoam no manejo das formas materiais transitórias, já que somente a súmula da experiência persistirá gravada em nós como pérolas do nosso tesouro imortal.

Em nossa marcha divina para Deus tudo que se liga ao mundo das formas funcionará como roupagem do pensamento – tudo há de envelhecer como um vestido.

***

Produção:  SER

Tecnico de Gravação:  Júlio Corradi

Voz:  Haroldo Dutra Dias

Finalização:  Júlio Corradi

Livro:  Caminho, Verdade e Vida  – Capítulo 72

Capítulo:  Transitoriedade

Versículo:  Hebreus 1:11

Sete Minutos com Emmanuel – Episódio 47 –  Carta aos Hebreus, capítulo 1, versículo 11, comentário do Livro Caminho, Verdade e Vida, Capítulo 72, intitulado: Transitoriedade – LEITURA DO VERSÍCULO – (…) Eles perecerão; tu, porém, permanecerás; todos hão de envelhecer como um vestido (Hb 1:11)

 

 

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O Herdeiro do Pai

“[...] a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e pelo qual fez os
séculos.”

Hebreus 1:2

Cede aos poderes humanos respeitáveis o que lhes cabe por direito lógico da vida, mas não te esqueças de dar ao Senhor o que lhe pertence.

Esta fórmula conciliadora do Evangelho permanece, ainda, palpitante de interesse para o bem-estar do mundo.

Não convém concentrar em organizações mutáveis do plano carnal todas as nossas esperanças e aspirações.

O homem interior renova-se diariamente. Por isso, a ciência que lhe atende as reclamações, nos minutos que passam, não é a mesma que o servia, nas horas que se foram, e a do futuro será muito diversa daquela que o auxilia no presente. A política do pretérito deu lugar à política das lutas modernas. Ao triunfo sanguinolento dos mais fortes ao tempo da selvageria sem peias, seguiu-se a autocracia militarista. A força cedeu à autoridade, a autoridade ao direito. No setor das atividades religiosas, o esforço evolutivo não tem sido menor.

Em vista de semelhantes realidades, por que te apaixonas, com tanta veemência, por criaturas falíveis e programas transitórios?

Os homens de hoje, por mais veneráveis, são herdeiros dos homens de ontem, empenhados na luta gigantesca pela redenção de si mesmos. Poderão prometer maravilhosos reinados de abastança e paz, liberdade e harmonia, entretanto, não fugirão ao serviço de corrigenda dos erros que herdaram, não só daqueles que os antecederam, no campo dos compromissos coletivos, mas igualmente de suas próprias experiências passadas, em tenebrosos desvios do sentimento.

A civilização de agora é sucessora das civilizações que faliram.

As nações que se restauram aproveitam as nações que se desfizeram.

As organizações que surgem na atualidade guardam a herança das que desapareceram na voragem da discórdia e da tirania.

Examinando a fisionomia indisfarçável da verdade, como hipertrofiar o sentimento, definindo-te, em absoluto, por instituições terrestres que carecem, acima de tudo, de teu próprio auxílio espiritual?

Como pode a casa sem teto abrigar-te da intempérie? A planta do arranha-céu, inteligentemente traçada no pergaminho, ainda não é a construção mantenedora da legítima segurança.

Não existem, pois, razões que justifiquem os tormentos dos aprendizes do Cristo, angustiados pelas inquietudes políticas da hora que passa.
Semelhante estado d’alma é simples produto de inadvertência perigosa, porque todos devemos saber que os homens falíveis não podem erguer obras infalíveis e que compete a nós outros, partidários do Mestre, a posição de trabalhadores sinceros, chamados a servir e cooperar na obra paciente e longa, mas definitiva e eterna, daquele a quem o Pai “constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo”.

***

Comentário de Haroldo Dutra Dias sobre o capítulo

Sete Minutos com Emmanuel – Episódio 46 – Carta aos Hebreus, capítulo 1, versículo 2, comentário do Livro Fonte Viva, Capítulo 148, intitulado: O Herdeiro do Pai – LEITURA DO VERSÍCULO – (…) a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e pelo qual fez os séculos (Hb 1:2) – comenta o benfeitor:

No livro Paulo e Estevão, II Parte, Cap. 9, Emmanuel narra as circunstâncias que envolveram a redação da Carta aos Hebreus. Impossibilitado de ensinar na Sinagoga em Roma, em virtude de sua prisão domiciliar, Paulo escreve com lágrimas a Carta destinada aos seus irmãos do mundo hebreu, “como se desejasse fazer da mensagem um depósito de santas inspirações”, entregando o trabalho a Aristarco, encarregado de fazer as cópias.

Apresentando Jesus como Filho, Herdeiro e Sumo Sacerdote do Altíssimo, a epístola se destaca pelo seu estilo singular, bem como pelas ideias grandiosas e incomuns.

Neste comentário, o benfeitor Emmanuel, na sua costumeira sabedoria, nos ensina que a obra do Cristo é paciente e longa, mas definitiva e eterna, reclamando o nosso espírito de serviço e cooperação.

Retoma a fórmula conciliadora do Evangelho, segundo a qual devemos “dar a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”, para nos orientar a ceder aos poderes humanos respeitáveis o que lhes cabe por direito, sem olvidar a necessidade de dar ao Senhor o que lhe pertence.

A posição de Jesus é a do Governador Espiritual do orbe, eleito e empossado pelo próprio Criador, que faz dele um agente executor da sua soberana vontade.

Deus, na sua infinita sabedoria e no seu infinito amor, conduz os homens a posições de comando, concedendo-lhes recursos e tempo para o estabelecimento de Instituições destinadas ao progresso comum, ciente das imperfeições e precariedades do trabalho.

Por outro lado, acima da mutabilidade e imperfeição das obras humanas, paira o governo espiritual do Cristo, dirigindo a evolução do mundo em consonância com os desígnios divinos.

Conscientes de que homens falíveis não podem erguer obras infalíveis, e de que as instituições terrestres carecem, acima de tudo, de nosso próprio auxílio espiritual, saibamos reconhecer que o Cristo é herdeiro do Pai, investido dos poderes supremos, inalienáveis e imperecíveis, para a direção da evolução humana.

***

Produção:  SER

Tecnico de Gravação:  Júlio Corradi

Voz:  Haroldo Dutra Dias

Finalização:  Júlio Corradi

Música: Prece – João Cabete

Interprete: João Paulo Lanini – Violão

Livro:  Fonte Viva – Capítulo 148

Capítulo:  O Herdeiro do Pai

Versículo:  Hebreus 1:2

Episódio 46 – Carta aos Hebreus, capítulo 1, versículo 2, comentário do Livro Fonte Viva, Capítulo 148, intitulado: O Herdeiro do Pai

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