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Resiste à tentação

Bem-aventurado o homem que suporta com paciência a provação! […]

Tiago 1:12

10/11/2014

Enquanto nosso barco espiritual navega nas águas da inferioridade, não podemos aguardar isenção de ásperos conflitos interiores. Mormente na esfera carnal, toda vez que empreendemos a melhoria da alma, utilizando os trabalhos e obstáculos do mundo, devemos esperar a multiplicação das dificuldades que se nos deparam, em pleno caminho do conhecimento iluminativo.

Contra o nosso anseio de claridade, temos milênios de sombra. Antepondo-se-nos à mais humilde aspiração de crescer no bem, vigoram os
séculos em que nos comprazíamos no mal.

É por isso que, de permeio com as bênçãos do Alto, sobram na senda dos discípulos as tentações de todos os matizes.
Por vezes, o aprendiz acredita-se preparado a vencer os dragões da animalidade que lhe rondam as portas; todavia, quando menos espera, eis que as sugestões degradantes o espreitam de novo, compelindo-o a porfiada batalha.

Claro, portanto, que nem mesmo a sepultura nos exonera dos atritos com as trevas, cujas raízes se nos alastram na própria organização espiritual. Só a morte da imperfeição em nós livrar-nos-á delas.

Haja, pois, tolerância construtiva em derredor da caminhada humana, porque as insinuações malignas nos cercarão em toda parte, enquanto nos demoramos na realização parcial do bem.

Somente alcançaremos libertação quando atingirmos plena luz.

Entendendo a transcendência do assunto, o apóstolo proclama bemaventurado aquele “que sofre a tentação”. Impossível, por agora, qualquer
referência ao triunfo absoluto, porque vivemos ainda muito distantes da condição angélica; entretanto, bem-aventurados seremos se bem sofrermos esse gênero de lutas, controlando os impulsos do sentimento menos aprimorado e aperfeiçoando-o, pouco a pouco, à custa do esforço próprio, a fim de que não nos entreguemos inermes às sugestões inferiores que procuram converter-nos em vivos instrumentos do mal.

(Pão nosso. Ed. FEB. Cap. 101)

***

Comentário de Haroldo Dutra Dias sobre o capítulo

Os trabalhos e obstáculos do mundo representam instrumentos pedagógicos para o aperfeiçoamento das almas.

Todavia, ao lado dessas bênçãos do Alto canalizadas a nosso favor, multiplicam-se tentações e provações que se originam dos milênios de sombra que ainda vigoram em nosso mundo íntimo, nomeadas por Emmanuel de “dragões da animalidade”.

É curioso observar que o vocábulo grego utilizado no versículo é “peirasmon”, que pode ser traduzido por “teste”, “exame”, “prova”, “tentação”, revelando o caráter aferidor dessas experiências.

Por ora, nosso “barco espiritual navega nas águas da inferioridade”, demorando na “realização parcial do bem”, nos posicionando em clima de “atrito com as trevas”, cujas raízes se encontram em nossa própria intimidade.

Nos adverte o benfeitor que somente alcançaremos libertação quando atingirmos a plena luz, vez que só a morte da imperfeição nos livrará da porfiada batalha, conduzindo-nos ao porto da vitória sobre nós mesmos.

Controlar os impulsos do sentimento menos aprimorado, aperfeiçoando-o, pouco a pouco, com tolerância construtiva, sem culpa e sem justificativas, atentos ao dever de aperfeiçoamento.

A confiança em Deus, o esforço pessoal e a perseverança  constituem os alicerces da nossa esperança. Nesse clima de esforço, resta-nos a serenidade de aguardar as benesses do tempo.

 

***

Produção:  SER

Edição:  Júlio Corradi

Voz:  Haroldo Dutra Dias

Finalização: Júlio Corradi

Livro:  Pão Nosso Cap. 101

Versículo:  Tiago, capítulo 1, versículo 12

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Guardemos o coração

“Dúbio e inconstante como é em tudo o que faz”

Tiago 1:8

Urge reconhecer que no sentimento reside o controle da vida.

Na romagem terrestre, múltiplos são os caminhos que conduzem ao aperfeiçoamento.

Fartura e escassez, formosura e fealdade, alegria e sofrimento, liberdade e tolhimento, podem aliciar excelentes possibilidades de realização humana para a espiritualidade superior.

O homem de coração dobre, porém, é infiel às bênçãos divinas em todos os setores da luta construtiva.

Se recebe talentos da riqueza terrestre, entrega-se, comumente, às alucinações da vaidade.

Se detém os dons da pobreza, liga-se, quase sempre, aos monstros da inconformação.

Se possui belo corpo dá-se, em via de regra, aos excessos destruidores.

Se dispõe de vaso orgânico defeituoso, na maioria dos casos perde o tempo em desespero inútil.

No prazer, é incontido.

Na dor, é revoltado.

Quando livre, oprime os irmãos e escraviza-os.

Quando subalterno, perturba os semelhantes e insinua a indisciplina.

O sentimento é o santuário da criatura. Sem luz aí dentro, é impossível refletir a paz luminosa que flui incessantemente de Cima.

Ofereçamos ao Senhor um coração firme e terno para que as divinas

Mãos nele gravem os augustos Desígnios. Atendida semelhante disposição em nossa vida íntima, encontraremos em todos os caminhos o abençoado lugar de cooperadores da divina Vontade.

***

Comentário de Haroldo Dutra Dias sobre o capítulo

Explorando outros aspectos da inconstância e da infidelidade, Emmanuel nos brinda com mais uma pérola de luz do Evangelho.

Oferecer ao Senhor Supremo um coração repleto de firmeza e brandura, para que as suas Mãos nele gravem os seus augustos Desígnios, compreendendo que ” O Reino de Deus é obra divina no coração dos homens” (Boa Nova, cap. 3) é nosso mais elevado objetivo.

No sentimento reside o controle da vida, nos adverte o benfeitor.

O coração representa a mais alta de todas as capelas, o santuário da criatura, onde o Pai amoroso nos responde e atende, sob a linguagem pura e peregrina, em luz de redenção.

Fidelidade e confiança representam as disposições fundamentais da nossa vida íntima que tornam possível fazer luz por dentro, refletindo a paz luminosa que flui incessantemente de Deus.

Alcançada essa posição espiritual de docilidade ativa e operante, todos os lugares e situações passam a representar para nosso espírito lugar abençoado de aperfeiçoamento, onde podemos nos tornar cooperadores da divina vontade.

Todavia, a infidelidade humana às bênçãos divinas, em todos os setores onde somos provisoriamente posicionados pela providência, nos tornam refratários, incapazes de extrair o supremo bem que se oculta por detrás de todos os acontecimentos.

Fartura e escassez, formosura e fealdade, alegria e sofrimento, liberdade e tolhimento, na essência, constituem posições provisórias na marcha ascensional do espírito, podendo ser convertidas em aprimoramento ou ruína, dependendo do coração que vive a experiência.

 

***

Produção:  SER

Edição:  Júlio Corradi

Voz:  Haroldo Dutra Dias

Finalização: Júlio Corradi

Livro:  Vinha de Luz, Cap. 29

Versículo:  Tiago, capítulo 1, versículo 8

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Inconstantes

“porque aquele que duvida é semelhante às ondas do mar, impelidas e agitadas pelo vento “

Tiago 1:6

Inegavelmente existe uma dúvida científica e filosófica no mundo que, alojada em corações leais, constitui precioso estímulo à posse de grandes e elevadas convicções; entretanto, Tiago refere-se aqui à inconstância do homem que, procurando receber os benefícios divinos, na esfera das vantagens particularistas, costuma perseguir variadas situações no terreno da pesquisa intelectual sem qualquer propósito de confiar nos valores substanciais da vida.

Quem se preocupa em transpor diversas portas, em movimento simultâneo, acaba sem atravessar porta alguma.

A leviandade prejudica as criaturas em todos os caminhos, mormente nas posições de trabalho, nas enfermidades do corpo e nas relações afetivas.

Para que alguém ajuíze com acerto, com respeito a determinada experiência, precisa enumerar quantos anos gastou dentro dela, vivendo-lhe as características.

Necessitamos, acima de tudo, confiar sinceramente na Sabedoria e na Bondade do Altíssimo, compreendendo que é indispensável perseverar com alguém ou com alguma causa que nos ajude e edifique. Os inconstantes permanecem figurados na onda do mar, absorvida pelo vento e atirada de uma para outra parte.

Quando servires ou quando aguardares as bênçãos do Alto, não te deixes conduzir pela inquietude doentia. O Pai dispõe de inumeráveis instrumentos para administrar o bem e é sempre o mesmo Senhor paternal, através de todos eles. A dádiva chegará, mas depende de ti, da maneira de procederes na luta construtiva, persistindo ou não na confiança, sem a qual o divino Poder encontra obstáculos naturais para exprimir-se em teu caminho.

(Pão nosso. Ed. FEB. Cap. 22)

***

Comentário de Haroldo Dutra Dias sobre o capítulo

                        Voltando ao mesmo versículo do episódio anterior, Emmanuel sublinha as diferenças substanciais entre a dúvida nascida dos corações sinceros e operosos, posicionados nos campos da ciência e da filosofia, com a sublime tarefa de investigar, examinar e propor explicações, contribuindo assim para o progresso da razão humana, e aquela dúvida oriunda da leviandade, da inconstância, e da ausência de confiança na providência divina.

Em todos os setores do progresso onde a bondade de Deus, provisoriamente, nos situar o espírito, em marcha para os cimos, é preciso guardar a fidelidade e a confiança.

Aquele que confia na Sabedoria e na Bondade do Altíssimo sabe que a perseverança é requisito essencial para o êxito, em qualquer empreitada. Nas sábias palavras do Benfeitor: “Para que alguém ajuíze com acerto, com respeito a determinada experiência, precisa enumerar quantos anos gastou dentro dela, vivendo-lhe as características”.

Não basta simplesmente receber ou fornecer informações sobre pessoas e circunstâncias, é preciso abandonar a inquietação e a inconstância, permitindo que o tempo e a experiência nos ajude e edifique por dentro. Viver é mais que simplesmente conhecer. Somente quem vive as características de pessoas e situações pode ajuizar com segurança.

O pomar repleto de frutos, dadivoso e abundante, é reflexo da generosidade de Deus, que se expressa através da Lei de Amor e Justiça, mas reclama o pomicultor operante, perseverante, atento, cuidadoso, amoroso, e acima de tudo fiel aos propósitos do Alto.

Os inconstantes podem até plantar, mas desconhecem a dádiva da colheita abundante, fruto da dedicação e do trabalho dos que souberam perseverar.

Como nos adverte Emmanuel, nossa maneira de proceder na luta construtiva interfere positiva ou negativamente na maneira pela qual a dádiva celeste se expressará em nosso caminho.

E jamais podemos nos esquecer que: “O Pai dispõe de inumeráveis instrumentos para administrar o bem e é sempre o mesmo Senhor paternal, através de todos eles”.

***

Produção:  SER

Edição:  Júlio Corradi

Voz:  Haroldo Dutra Dias

Finalização: Júlio Corradi

Livro:   Livro Pão Nosso, Cap. 22

Versículo:  Tiago, capítulo 1, versículo 6

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