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Origem das Tentações 

Antes, cada qual é provado pela própria concupiscência, que o arrasta e seduz

Tiago 1:14

01/12/2014

Geralmente, ao surgirem grandes males, os participantes da queda imputam a Deus a causa que lhes determinou o desastre. Lembram-se, tardiamente, de que o Pai é Todo-Poderoso e alegam que a tentação somente poderia ter vindo do divino Desígnio.

Sim, Deus é o absoluto amor e tanto é assim que os decaídos se conservam de pé, contando com os eternos valores do tempo, amparados por suas mãos compassivas. As tentações, todavia, não procedem da Paternidade celestial.

Seria, porventura, o estadista humano responsável pelos atos desrespeitosos de quantos inquinam a lei por ele criada?

As referências do Apóstolo estão profundamente tocadas pela luz do céu: “Cada um é tentado, quando atraído pela própria concupiscência.” Examinemos particularmente ambos os substantivos “tentação” e “concupiscência”. O primeiro exterioriza o segundo, que constitui o fundo viciado e perverso da natureza humana primitivista. Ser tentado é ouvir a malícia própria, é abrigar os inferiores alvitres de si mesmo, porquanto, ainda que o mal venha do exterior, somente se concretiza e persevera se com ele afinamos, na intimidade do coração.

Finalmente, destaquemos o verbo “atrair”. Verificaremos a extensão de nossa inferioridade pela natureza das coisas e situações que nos atraem. A observação de Tiago é roteiro certo para analisarmos a origem das tentações.

Recorda-te de que cada dia tem situações magnéticas específicas. Considera a essência de tudo o que te atraiu no curso das horas e eliminarás os males próprios, atendendo ao bem que Jesus deseja.

(Caminho, verdade e vida. Ed. FEB. Cap. 129)

***

Comentário de Haroldo Dutra Dias sobre o capítulo

 Voltando ao mesmo tema do episódio anterior, Emmanuel direciona a análise para o terreno das causas, alertando-nos para o fato de que a tentação, expressão magnética das coisas e situações, apenas exterioriza a nossa concupiscência, fundo viciado e perverso de nossa natureza humana primitivista.

O homem vive no seio das criações mentais a que dá origem. Todos lançamos, em torno de nós, forças criativas ou destrutivas, agradáveis ou desagradáveis ao círculo pessoal em que nos movimentamos. (Fonte Viva, Cap. 149).

Na qualidade de co-criadores, em plano menor, a ninguém devemos o destino senão a nós mesmos, de vez que nos achamos indissoluvelmente ligados às nossas próprias obras, asas de libertação ou algemas de cativeiro.

Como vigoroso imã, nossa mente atrai “situações magnéticas específicas” , porquanto “ainda que o mal venha do exterior, somente se concretiza e persevera se com ele afinamos, na intimidade do coração”. “As inteligências encarnadas, ainda, mesmo quando se não conheçam entre si, na pauta das convenções materiais, comunicam-se por tênues fios do desejo” (Pão Nosso, Cap. 45).

Abordando com sutileza e delicadeza o problema do mal, o Benfeitor nos ensina que Deus é o absoluto amor mantendo de pé, com suas mãos compassivas, todos os decaídos. A tentação não procede da Paternidade Celestial.

“A Lei não se dobra às nossas fraquezas, porque a Vontade Divina não pode errar com a vontade humana, competindo-nos o dever de adaptarmo-nos aos Excelsos Desígnios” (Ideal Espírita, Cap. 90)

O aprendiz sincero do Evangelho, entregue ao árduo processo de renovação substancial, luta em silêncio para vencer os milênios de sombra que ainda legislam em seu mundo íntimo, mas sem perder a esperança na vitória final sobre si mesmo.

 

***

Produção:  SER

Edição:  Júlio Corradi

Voz:  Haroldo Dutra Dias

Finalização: Júlio Corradi

Livro:  Caminho, Verdade e Vida, Cap. 129

Versículo:  Tiago, capítulo 1, versículo 14

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Resiste à tentação

Bem-aventurado o homem que suporta com paciência a provação! […]

Tiago 1:12

10/11/2014

Enquanto nosso barco espiritual navega nas águas da inferioridade, não podemos aguardar isenção de ásperos conflitos interiores. Mormente na esfera carnal, toda vez que empreendemos a melhoria da alma, utilizando os trabalhos e obstáculos do mundo, devemos esperar a multiplicação das dificuldades que se nos deparam, em pleno caminho do conhecimento iluminativo.

Contra o nosso anseio de claridade, temos milênios de sombra. Antepondo-se-nos à mais humilde aspiração de crescer no bem, vigoram os
séculos em que nos comprazíamos no mal.

É por isso que, de permeio com as bênçãos do Alto, sobram na senda dos discípulos as tentações de todos os matizes.
Por vezes, o aprendiz acredita-se preparado a vencer os dragões da animalidade que lhe rondam as portas; todavia, quando menos espera, eis que as sugestões degradantes o espreitam de novo, compelindo-o a porfiada batalha.

Claro, portanto, que nem mesmo a sepultura nos exonera dos atritos com as trevas, cujas raízes se nos alastram na própria organização espiritual. Só a morte da imperfeição em nós livrar-nos-á delas.

Haja, pois, tolerância construtiva em derredor da caminhada humana, porque as insinuações malignas nos cercarão em toda parte, enquanto nos demoramos na realização parcial do bem.

Somente alcançaremos libertação quando atingirmos plena luz.

Entendendo a transcendência do assunto, o apóstolo proclama bemaventurado aquele “que sofre a tentação”. Impossível, por agora, qualquer
referência ao triunfo absoluto, porque vivemos ainda muito distantes da condição angélica; entretanto, bem-aventurados seremos se bem sofrermos esse gênero de lutas, controlando os impulsos do sentimento menos aprimorado e aperfeiçoando-o, pouco a pouco, à custa do esforço próprio, a fim de que não nos entreguemos inermes às sugestões inferiores que procuram converter-nos em vivos instrumentos do mal.

(Pão nosso. Ed. FEB. Cap. 101)

***

Comentário de Haroldo Dutra Dias sobre o capítulo

Os trabalhos e obstáculos do mundo representam instrumentos pedagógicos para o aperfeiçoamento das almas.

Todavia, ao lado dessas bênçãos do Alto canalizadas a nosso favor, multiplicam-se tentações e provações que se originam dos milênios de sombra que ainda vigoram em nosso mundo íntimo, nomeadas por Emmanuel de “dragões da animalidade”.

É curioso observar que o vocábulo grego utilizado no versículo é “peirasmon”, que pode ser traduzido por “teste”, “exame”, “prova”, “tentação”, revelando o caráter aferidor dessas experiências.

Por ora, nosso “barco espiritual navega nas águas da inferioridade”, demorando na “realização parcial do bem”, nos posicionando em clima de “atrito com as trevas”, cujas raízes se encontram em nossa própria intimidade.

Nos adverte o benfeitor que somente alcançaremos libertação quando atingirmos a plena luz, vez que só a morte da imperfeição nos livrará da porfiada batalha, conduzindo-nos ao porto da vitória sobre nós mesmos.

Controlar os impulsos do sentimento menos aprimorado, aperfeiçoando-o, pouco a pouco, com tolerância construtiva, sem culpa e sem justificativas, atentos ao dever de aperfeiçoamento.

A confiança em Deus, o esforço pessoal e a perseverança  constituem os alicerces da nossa esperança. Nesse clima de esforço, resta-nos a serenidade de aguardar as benesses do tempo.

 

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Produção:  SER

Edição:  Júlio Corradi

Voz:  Haroldo Dutra Dias

Finalização: Júlio Corradi

Livro:  Pão Nosso Cap. 101

Versículo:  Tiago, capítulo 1, versículo 12

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Guardemos o coração

“Dúbio e inconstante como é em tudo o que faz”

Tiago 1:8

Urge reconhecer que no sentimento reside o controle da vida.

Na romagem terrestre, múltiplos são os caminhos que conduzem ao aperfeiçoamento.

Fartura e escassez, formosura e fealdade, alegria e sofrimento, liberdade e tolhimento, podem aliciar excelentes possibilidades de realização humana para a espiritualidade superior.

O homem de coração dobre, porém, é infiel às bênçãos divinas em todos os setores da luta construtiva.

Se recebe talentos da riqueza terrestre, entrega-se, comumente, às alucinações da vaidade.

Se detém os dons da pobreza, liga-se, quase sempre, aos monstros da inconformação.

Se possui belo corpo dá-se, em via de regra, aos excessos destruidores.

Se dispõe de vaso orgânico defeituoso, na maioria dos casos perde o tempo em desespero inútil.

No prazer, é incontido.

Na dor, é revoltado.

Quando livre, oprime os irmãos e escraviza-os.

Quando subalterno, perturba os semelhantes e insinua a indisciplina.

O sentimento é o santuário da criatura. Sem luz aí dentro, é impossível refletir a paz luminosa que flui incessantemente de Cima.

Ofereçamos ao Senhor um coração firme e terno para que as divinas

Mãos nele gravem os augustos Desígnios. Atendida semelhante disposição em nossa vida íntima, encontraremos em todos os caminhos o abençoado lugar de cooperadores da divina Vontade.

***

Comentário de Haroldo Dutra Dias sobre o capítulo

Explorando outros aspectos da inconstância e da infidelidade, Emmanuel nos brinda com mais uma pérola de luz do Evangelho.

Oferecer ao Senhor Supremo um coração repleto de firmeza e brandura, para que as suas Mãos nele gravem os seus augustos Desígnios, compreendendo que ” O Reino de Deus é obra divina no coração dos homens” (Boa Nova, cap. 3) é nosso mais elevado objetivo.

No sentimento reside o controle da vida, nos adverte o benfeitor.

O coração representa a mais alta de todas as capelas, o santuário da criatura, onde o Pai amoroso nos responde e atende, sob a linguagem pura e peregrina, em luz de redenção.

Fidelidade e confiança representam as disposições fundamentais da nossa vida íntima que tornam possível fazer luz por dentro, refletindo a paz luminosa que flui incessantemente de Deus.

Alcançada essa posição espiritual de docilidade ativa e operante, todos os lugares e situações passam a representar para nosso espírito lugar abençoado de aperfeiçoamento, onde podemos nos tornar cooperadores da divina vontade.

Todavia, a infidelidade humana às bênçãos divinas, em todos os setores onde somos provisoriamente posicionados pela providência, nos tornam refratários, incapazes de extrair o supremo bem que se oculta por detrás de todos os acontecimentos.

Fartura e escassez, formosura e fealdade, alegria e sofrimento, liberdade e tolhimento, na essência, constituem posições provisórias na marcha ascensional do espírito, podendo ser convertidas em aprimoramento ou ruína, dependendo do coração que vive a experiência.

 

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Produção:  SER

Edição:  Júlio Corradi

Voz:  Haroldo Dutra Dias

Finalização: Júlio Corradi

Livro:  Vinha de Luz, Cap. 29

Versículo:  Tiago, capítulo 1, versículo 8

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