Paz, caminho para o amor!

“Se se perdessem todos os livros sacros da humanidade e só se salvasse o Sermão da Montanha, nada estaria perdido”. A frase de Mahatma Gandhi resume a importância dos ensinamentos de Jesus descritos no Evangelho segundo São Mateus.

O discurso é considerado a suprema mensagem do Cristo e foi proferido nas colinas de Kurun Hattin, ao sudoeste do lago de Genezaré.

Como se sabe, o mestre de Nazaré reputou como bem-aventurados os homens que, para adeptos da visão materialista, são tidos como “fracos” ou “tolos”.

São eles os considerados “pobres de espírito”, os “puros de coração”, os “que choram”, os “humildes”, os “com sede e fome de justiça”, os “misericordiosos”, os “perseguidos” e os “pacificadores”.

O conteúdo do Sermão da Montanha é extremamente rico, mas vamos considerar especificamente os “pacificadores”.

O Sermão da Montanha e a cultura da paz

Os dicionários fornecem inúmeros significados para esse vocábulo. Um deles, ausência de guerra, descanso e silêncio. Ocorre que a ausência de guerra não significa que haja paz, assim como descanso e silêncio não estão relacionados necessariamente ao sentimento de paz.

Allan Kardec, o codificador da doutrina espírita, dizia que o mal é ausência do bem, isto é, a maioria das pessoas não pratica o mal, mas também não faz o bem.

Isso significa que muita gente tem boa intenção, mas não a pratica. Por esse raciocínio, para evitar o mal bastaria a pessoa manter a inércia e a negligência, o que sabemos ser falso.

No profundo livro “O Sermão da Montanha” (editora Martin Claret), o filósofo e educador brasileiro Huberto Rohden, falecido em 1981, faz colocações interessantes e importantes no capítulo “Bem-aventurados os pacificadores”.

A paz dentro de si

Para ele, pacificador é aquele que faz a paz, “um homem que possui em si a força creadora (e não criadora) de estabelecer ou restabelecer um estado ou uma atitude permanente de paz no meio de qualquer campo de batalha”.

Nesse sentido, o verdadeiro pacificador não é quem restabelece a paz entre as pessoas ou grupos litigantes, mas aquele que, segundo Rohden, “estabelece e estabiliza a paz dentro de si mesmo”.

Outra análise interessante do autor do livro é sobre a frase “Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz”, dita por Jesus na véspera da sua morte.

Nela, o mestre deixou a seguinte mensagem: “não a dou (a paz) assim como o mundo a dá; dou-vos a minha paz para que a minha alegria esteja em vós, e seja perfeita a vossa alegria e ninguém vos tire mais a vossa alegria.”

Na concepção de Rohden, a paz segura e duradoura só pode existir no homem que ultrapassou todos os erros e todas as ilusões do velho ego e se identificou com a verdade do novo. Trocando em miúdos, o homem que descobriu em si o Cristo, bem como sua conduta no dia a dia, e o fez triunfar sobre a vida.

Mas até que se chegue a esse estágio de entendimento e sentimento, outras virtudes precisam ser desenvolvidas por todos, indistintamente, entre elas a verdadeira paz, com ponderava o médium Chico Xavier.

“Pela evolução, nossa mente se abre, como uma flor que desabrocha, para a percepção progressiva do absoluto que nos proporciona a paz.”

Manso e pacífico x pacificador

Na palestra “Bem aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus, o palestrante Simão Pedro de Lima esclarece as diferenças entre mansos e pacíficos e pacificadores, respectivamente a terceira e sétima bem-aventuranças do Sermão da Montanha.

Ser pacífico, ou seja, não devolver o mal a alguém, é um degrau para a pessoa se tornar pacificadora, aquela que promove o bem.

“Ninguém pode promover a paz se não a cultivar em si mesmo”, comentou durante o 4º Congresso Espírita de Uberlândia, em 2018. O vídeo está disponível no Espiritismo.tv e Simão toca em certas “feridas” do ser humano.

Também no documentário, o palestrante espírita Divaldo Franco resume, em tópicos, como preservar a paz.

Não se trata de receita de bolo, mas uma reflexão profunda sobre o assunto, respaldada pelo prática no dia a dia de cada pessoa. “Não aceite a violência, seja tolerante, ame a todos, redescubra a solidariedade e ouça para compreender.”

Comentários