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01 – Mansidão

Aquilo que assim: o mundo é poeira compactada; chão. Mas dele brotando toda verdade: o que se aprende; pão nosso de cada dia. Vivência no diário – coisas que acontecem amiúde [choro e riso; morte e nascimento; fome e fartura; doença e viço…]. Razão concebida por Deus; ração concedida ao Homem. Seguimos: coletivados, avançando comumente.…

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03 – Para o mutum, para o menino

Existe moradia em cada árvore – aroeira, araribá, araucária, ingá, garapeira… Onde se aninham os passarinhos eleitos para o pé de cada fruta, pau de alguma flor – a arara, a araçuiava, araraúna, urutau, inhambu e juriti… Vida de pássaro em lugar propício e devido [isso sim; a passaração]. Igualmente, o rio [espaço dos peixes]…

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04 – Um choro para São João

No galinheiro é que se constatava a esquisitice. Quem ali chegasse, topava o espantoso: “– Que coisa é?!” Uns diziam: “– Ave estrangeira!”, ciscando o chão feito galinha. Um outro corrigia: “– Parece galo.” [mas não sendo; e, apois, não cantava em hora regulada]. Verdade única: subia no poleiro para dormir, feito os demais, e era bonzinho, cristão fiel.…

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05 – Arvorar

A Gameleira é a Árvore da Vida. Deve reinar; nós precisamos que ela triunfe. No meio, interior, inserida, metida dentro – centro do ser [Sertão]. Rainha, dando sombra, pouso; garantia de felicidade. Quando grão semeado, cresce ajustada a alguma árvore desnecessária; que, desde esse dia, está condenada. A Gameleira da Morro Alto matou uma dessa ruim; que…

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06 – Esperar… esperar

Tudo o que Deus pode, o Homem não. De então, o maravilhoso torna-se diário-trivial; o improvável passa a ser coisa que se alcança, ou mensura. O céu estrelado, o ocaso e a aurora, o desabrochar de uma flor… Também os encontros; gente topando com gente e, disso, o amor. Tal que reconcilia, que corrige o…

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07 – Murundu de tatupeba

Meu avô apreciava muitas curas feitas por nosso Senhor; pregações ministradas na missa de domingo. Mas uma delas, mais que todas. Caso que lhe deixava um grande sorriso estampado no rosto. Do qual, se dizia, era um moço paralítico que queria estar com o bom Jesus, mas não podia. O Messias estando dentro de uma…

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10 – Bênção

Efigênia Aparecida do Rosário: Mãe Figena [velha, pobre, mãe de santo e preta].  Eu não avaliava isso como devia; porque não prezava Mãe Figena. Eu, sendo preconceituoso, e a nobre palavra de meu avô não dando conta disso em mim… Mas a vida humaniza a condição de quem se excede, dotô. Porque, veja: eu atravessava meu…

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11 – Vida além

Quando um rio chega à sua foz; quando o sol descansa no horizonte; quando o grão de milho se entrega à mó de pedra. Nisso não há o fim, mas recomeço em outra condição de existência. Rio vira mar; dia vira noite; milho, fubá mimoso… Quando o pavio da vela começa a queimar e derreter…

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12 – Morro Alto

Eu, já rapazinho… estudando no Caraça. E lá, um padre. Professor de catequese: da Bélgica. Falava ele, sobretudo, francês; nome impronunciável [não me lembro mais]. Mas aprendi, com esse estrangeiro, coisas vantajosas para o espírito. Ele mais teologizava sobre Moisés; o Sinai; a sarça ardente… e dizia, comovendo-se: “- La Flamme… La colline… Nom de Dieu… Il est la tour.”…

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