PodMAIS #01 – As Psicofonias de Chico Xavier

Desdobrando o Episódio #01 – O Primeiro PodSER.

Nos idos de 1951, o Centro Espírita Luiz Gonzaga, em Pedro Leopoldo (MG), vivia o auge de suas atividades, acolhendo às segundas e sextas-feiras uma quantidade crescente de adeptos e interessados pela doutrina espírita. O que se percebia nessas reuniões públicas era também um avanço proporcional do número de doentes, encarnados e desencarnados, envolvidos pelas amarras dos relacionamentos viciados, do pensamento condicionado e do apego à sensação material.

O quadro preocupava os trabalhadores da casa. Um deles, em especial, sentia que era preciso fazer mais. Francisco Cândido Xavier compartilhava com alguns amigos, sob a sugestão do Bons Espíritos, a idéia de montar um grupo de atividades mediúnicas especializado no atendimento dos casos mais graves de vinculação doentia entre homens e Espíritos.

Seria, antes de tudo, um resgate de trabalho semelhante realizado nos primórdios do Luiz Gonzaga, entre 1928 e 1939, pelo irmão mais velho do médium, José Xavier. Trabalho no qual Chico aprendera valiosas lições sobre o trato com a dor e a incompreensão da alma, enquanto dava os primeiros passos de seu mandato mediúnico, mas que acabou interrompido pelo retorno de seu irmão ao mundo espiritual, aos 33 anos.

A proposta era desafiadora. Exigia o comprometimento sério de um número não tão grande, e nem tão pequeno, de almas preparadas para a tarefa de aprender servindo no contato intensivo com o sofrimento alheio, frequentemente relacionado a questões que ainda repercutiam em maior ou menor grau dentro delas mesmas.

Devido ao peso da tarefa, foi necessário algum tempo para que surgissem ombros dispostos a suportá-la. Só no ano seguinte um grupo formado por duas dezenas de tarefeiros espíritas se dispôs a encampar o projeto. Sob a orientação dos Espíritos responsáveis, a equipe, que contava com dez médiuns psicofônicos ostensivos, deu início às reuniões nas quintas-feiras, entre as 20h e as 22h, na parte da residência de José Xavier que abrigara o Luiz Gonzaga em seus primeiros anos de funcionamento.

Após os momentos de prece, leitura inicial e palavras da espiritualidade, o grupo, batizado pelos orientadores espirituais de Meimei, dedicava uma hora e meia ao atendimento dos Espíritos, eventualmente com a presença de encarnados envolvidos nos processos de obsessão. Nos quinze minutos finais, como estímulo à reorganização mental e emocional dos trabalhadores, os Espíritos se serviam da psicofonia de Chico Xavier para trazer mensagens de elevado teor moral e evangélico aos presentes.

Dezenas de mensagens singulares, que acabaram confinadas à memória dos participantes entre 1952 e o início de 1954, quando o professor Carlos Torres Pastorino decidiu emprestar seu equipamento particular de gravação de som ao grupo, para que fosse feito o registro das comunicações obtidas. Foi assim que, de 11 de março daquele ano até 29 de maio de 1957, 134 mensagens foram gravadas, transcritas e editadas nos dois notáveis volumes intitulados Instruções Psicofônicas (1955) e Vozes do Grande Além (1957), publicados pela FEB.

Desse contingente, o pesquisador paulista Oceano Vieira de Melo, que teve acesso às gravações originais, selecionou pouco mais de 40 mensagens, que tiveram o áudio recuperado e ganharam a adição de imagens para compor o DVD que traz o nome de ambas as obras e será lançado oficialmente em breve.

As mensagens ouvidas no PodSER#01 fazem parte desse material e foram recebidas, respectivamente, nos dias 9 de junho de 1955 – esta oração de Emmanuel encerrou a série de 65 mensagens que compõem o primeiro livro e, inustidamente, foi proferida de pé por meio de Chico Xavier – e 24 de março do mesmo ano.

Obras para consulta:
XAVIER, Francisco Cândido. Instruções Psicofônicas. Diversos Espíritos, 7ª Edição, Rio de Janeiro:FEB, 1995.
XAVIER, Francisco Cândido. Vozes do Grande Além. Diversos Espíritos, 5ª Edição, Rio de Janeiro:FEB, 2003

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