PodSER #026 – Revista Espírita

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Prepare-se para uma viagem fascinante ao coração da Doutrina Espírita! Neste episódio, mergulhamos na história e na importância da Revista Espírita, a publicação que Allan Kardec utilizou como um verdadeiro laboratório de ideias, um espaço de debate e aprofundamento dos princípios espíritas.

Neste episódio

  • A Revista Espírita como pilar da Doutrina e o trabalho incansável de Allan Kardec.
  • A história por trás da criação da revista e o apoio espiritual que Kardec recebeu.
  • A Revista Espírita como laboratório de ideias e o método de Kardec para testar conceitos.
  • A prudência e a caridade de Allan Kardec, reveladas em sua vida e obra.
  • A emocionante história da sonata mediúnica de Mozart, publicada na revista.
  • A importância da evangelização infantojuvenil para a perpetuação do movimento espírita.

Participantes

  • Thiago Franklin
  • Enrique Baldovino
  • Haroldo Dutra Dias

Destaques

  • A Revista Espírita é apresentada como as “colunas” da obra kardecista, sustentando a codificação e as obras complementares, totalizando 30 obras completas de Allan Kardec.
  • É revelado que Kardec, com sua disciplina, lançava a revista mensalmente, e até mesmo a edição de abril de 1869 já estava pronta antes de sua desencarnação.
  • A revista funcionava como um “laboratório de ideias”, onde Kardec testava teorias e debatia com os espíritos, como no caso dos “anjos decaídos”, que levou seis anos para ser publicado na Gênese.
  • A história da sonata mediúnica de Mozart, recebida em 1859, é contada com detalhes, incluindo a checagem de Kardec com uma aluna de Chopin e a descoberta das partituras originais no Museu de Londres.
  • A importância da evangelização infantojuvenil é enfatizada como crucial para a continuidade do movimento espírita, alertando para o risco de estagnação quando não há investimento nas novas gerações.

Ler transcrição do episódio

A de nascer, nova era de crescer, novo homem coração, de quem quer servir, é prosperir, novo verbo é burilar o íntimo, colorindo o céu de um novo ser. Olá pessoal, estamos iniciando mais um episódio do Pode Ser. Aqui é Tiago Franklin e, como nosso fim é chegar à verdade, acolheremos todas as observações que nos forem dirigidas e tentaremos, tanto quanto nos permita, o estado dos conhecimentos adquiridos, dirimir as dúvidas e esclarecer os pontos ainda obscuros. Na revista será, assim, uma tribuna livre, em que a discussão jamais se afastará das normas da mais estrita conveniência.

Numa palavra, discutiremos, mas não disputaremos. Allan Kardec, no primeiro fascículo da Revista Espírita. Olá pessoal, aqui é Arudo. A minha frase de hoje está no capítulo 36 do livro Pão Nosso, em que Emmanuel diz O Evangelho será pregado aos povos, para que as criaturas compreendam e alcancem os fins superiores da vida. Muito boa tarde a todos, meu nome é Henrique Baldovino, uma alegria estar com vocês, com essa equipe tão querida. E a minha frase é, tudo feito tem uma causa, tudo feito inteligente tem uma causa inteligente.

É a epígrafe de todas as revistas espíritas de Allan Kardec. É isso aí pessoal, nosso convidado de hoje é o nosso querido Henrique Baldovino, e o tema do episódio de hoje é a Revista Espírita. Sendo assim, vamos para mais um episódio do Pode Ser. Há de crescer, nova era de crescer, novo homem coração de quem quer servir. É proferir novo pé, pé duro e lado íntimo, colorindo o céu de um novo ser. Colorindo o céu de um novo ser. Música Música Bom pessoal, é com alegria que esse é um episódio que nós já esperávamos há muito tempo para poder gravar.

Com muita vontade, com muita alegria no coração que a gente recebe o Baldovino para a gente poder falar um pouquinho sobre a Revista Espírita e sobre a obra de Kardec. Ele tem feito esse trabalho da tradução da revista e pode nos trazer muitas informações. Mais uma tradução com a qual eu me identifico profundamente, porque ele coloca uma série de notas explicativas. Um índice de nomes explicando as pessoas que são citadas por Kardec, os livros, as revistas, detalhes, um trabalho de pesquisa que não se resume simplesmente em pegar o original francês e passar para o espanhol, que é a língua materna do Baldovino, mas esse trabalho de pesquisa que é um resgate no que, para mim, representa o grande tesouro do Codificador, que é a Revista Espírita.

Então, a gente poder conversar com o Baldovino sobre a Revista Espírita, ainda tendo ainda de brinde aqui o doutor Gamarro ao lado para poder participar, a Regina, o Melhem também está aqui com a gente, é um presente muito grande. Mas a gente queria, Baldovino, como é que você definiria a Revista Espírita? O que ela representa na vida de Allan Kardec? O que ela foi para Kardec, a Revista Espírita? Se poderíamos fazer uma figura, a obra completa de Allan Kardec é um edifício, um monumento. A Revista Espírita são as colunas, 12 colunas.

A codificação é a base, o alicerce, firme, robusto, e as obras subsidiárias ou complementares é o acabamento, é o telhado. Então nós temos, parafraseando o Codificador, esse monumento, 5 obras básicas, 12 colunas, 17, mais 13 obras complementares, 30 obras completas de Allan Kardec. Então, sem essas colunas, o edifício não se sustenta, mas sem a base fundamental, não podemos falar de uma construção. Então eu vejo nessas Revistas Espíritas, cada uma contando como uma unidade, porque cada uma tem um contexto, tem uma programação, tem uma vivência, como colunas da Doutrina Espírita, hoje, secundando a codificação.

São revistas mensais, não é, Baldovinho? Todo mês ele lançava uma, a partir de 1858 até 1969, com a desencarnação dele, mas a esposa continua até o final do ano. Exatamente. E o que nós temos hoje são reuniões desses fascículos por ano, não é isso? Sim. A revista saía em fascículos, como você bem diz, do dia 1º ao dia 5, de cada mês, impreterivelmente, já o dia 1º, o dia 2 já estava em circulação, a disciplina do codificador, e em 1969, o codificador desencarna em 31 de março de 1969, já estava preparada a Revista de Abril.

Então os continuadores só vão fazer a Revista Espírita de Maio, e vão fazer a biografia na Revista Espírita de Maio de 1869. Então a disciplina, o trabalho hercúleo do codificador, ele diz que ficava, ele tinha uma casa na Vila Seguir, atrás dos Invalidos, famoso, onde está o túmulo de Napoleão Bonaparte, mas ele não vivia lá, ele vivia onde estava a Sociedade Espírita de Paris, porque tinha todo o arquivo, as Revistas Espíritas, atendia mais de 1.200 pessoas por mês. Ele atendia? Atendia, recebia príncipes, o trabalhador, o povo, então tinha que estar a postos.

Então não tinha tempo para ir à casa, descansar, somente quando fez o Evangelho Segundo o Espiritismo, que os Espíritos permitiram esse retiro espiritual para fazer a obra sesquicentenária que estamos homenageando. Mas todos os dias, atendendo a oficina da Revista Espírita, a Sociedade Espírita de Paris, ele era presidente, e ele vivia num apartamentinho, ou apertamentinho, para poder dar conta das 500 cartas que recebia mensalmente, dessas mais de 1.000 pessoas que conversavam e queriam falar sobre o Espiritismo, e atender a família, a Dona Amélie Gabrielle Boudet, atender os companheiros da Sociedade.

Então o trabalho do codificador hercúleo em todos os sentidos. E fazer a obra que ele fez, 8.000 páginas no original francês, Harold, é uma coisa extraordinária. Dividida em 30 obras, é um homem missionário que nós devemos reverência. É fantástico, né? A gente podia tentar trazer um pouco da história de como surgiu a ideia de se escrever a revista, porque ele recebeu uma mensagem de Hermâncio, da médium Hermâncio de Faure, né? Para poder escrever a revista. Como é que foi essa história? Conta para a gente. Há algum tempo venho com a ideia de lançar uma revista, porque as cartas são tantas, que eu não consigo responder individualmente.

E o Espírito de Verdade diz, parece Estevam falando com Paulo, ou Cristo falando com o apóstolo Paulo. Utiliza… Os poderes do Espírito. As epístolas. Então a revista espírita é para responder a maioria das cartas, e ele diz, mas quem me poderia ajudar não está convencido de fazer um investimento, Sr. Tiedemann. Em obras póstumas está essa informação. Não espere por ele. Faça a sua iniciativa. E em poucas semanas o codificado lança, com dinheiro do próprio bolso. Não tinha dinheiro para fazer. Professor, professor pedagogo, investindo em uma revista de cultura, doutrinária, e lança o primeiro fascículo.

A 1º de janeiro, sexta-feira de 1858. E com alegria ele mesmo diz, em obras póstumas, que os números vão se repetindo, com tanto sucesso espiritual, que não precisou do apoio econômico do seu colega professor Tiedemann. Porque aí a venda passou a ser boa, e a revista ficou sustentável. Pelo valor autossustentável. Exatamente. Coisa, não é? Agora, o que é que… Porque a impressão que dá, e é o que a gente quer checar com você, porque quando você está traduzindo algo, você cria uma intimidade com a obra. E a gente percebe isso na sua tradução, essa intimidade que você foi criando com a revista.

A impressão que dá é que ela é um grande balão de ensaio do codificador. Ali ele se permite ousar testar teorias, testar teses, indagar os espíritos. É isso mesmo. A revista espírita é um grande laboratório para ele testar as ideias. A palavra exata é essa que você falou, o laboratório de ideias. E vamos colocar um exemplo. Em 1862, ele recebe uma informação do mundo espiritual sobre os anjos decaídos. E ele vai colocando na revista um artigo bastante substancial. Só que ele quer lançar essa ideia para os companheiros.

E vê que a ideia está tendo algumas resistências. Então ele vai perguntando aos espíritos, vai promovendo esse debate, e somente vai publicar a teoria dos anjos decaídos em 68 na Gênesis. Para você ver a prudência de Lankardek. Seis anos esperando frutificar essas ideias. E até que ele diz, agora o movimento está amadurecido para receber essas ideias. Essa era a revista espírita. Esse era o teste, esse era o laboratório, esse debate de ideias. Como você falou, Tiago, discutiremos, mas não disputaremos. Não vamos brigar pelas ideias, mas vamos discuti-las, vamos debatê-las.

Ele era um grande argumentador. Isso que é fantástico. E debater com democracia é uma das propriedades dos grandes espíritos. Outras pessoas se ofendem quando você, de alguma maneira, tem um argumento melhor. Ele não. Ele dizia, se alguma ideia for melhor, nós abdicamos da nossa e aceitamos-la. Eles são espíritos de grande envergadura moral. Isso aqui é interessante, Valdavino, porque a gente percebe que é uma característica de toda obra de Kardec. Ele nunca segura o microfone só para ele. Ele está sempre ouvindo vários espíritos, várias pessoas, e estimulando uma conversa madura e respeitosa.

Porque também o nível de caridade e de respeito dele era altíssimo. Ele não ofende a ninguém, jamais é soberbo, ele jamais ofende moralmente alguém. Você vê que ele sempre mantém no nível da ideia mesmo. Se a ideia se sustenta, ela se sustenta, se não, ela não se sustenta, e ponto final. E além do laboratório, ele vai destrinchar as ideias, vai desenvolvê-las. Vou colocar um exemplo. No livro dos espíritos, nós temos aquele capítulo de idiotismo, lembram? Cretinismo, o que nós falaríamos hoje os deficientes mentais, com outra linguagem, mas é a mesma época.

Hoje a palavra idiota tem outro sentido pejorativo, mas na época de Allan Kardec não tinha esse sentido. O que faz na revista Espírita? Ele evoca um deficiente mental, o que não pode fazer no livro dos espíritos. Qual é a teoria que dizem os espíritos? Que o deficiente mental é deficiente no corpo, o espírito é lúcido. Então ele diz, vamos ver, evoca o filho de um companheiro da Sociedade Espírita de Paris que tem síndrome de Down. E ele se comunica, ele está dormindo, o filho está vivo, vai encarnar. Pede para o pai deixá-lo dormindo, a tal hora vamos evocá-lo.

Evoca o espírito daquele rapaz, dezenove anos. E o espírito se comunica, lúcido, e diz, aí Allan Kardec pergunta, é verdade que o corpo que você está manifestando tem deficiência? É verdade. Mas você está conversando comigo lucidamente, porque meu espírito é lúcido, e o corpo que é o problema. Aí se constata o que estava no livro dos espíritos, que era o corpo que é o deficiente. Então essa é a revista espírita. É uma obrigação nós lermos esse conteúdo para entender a base que os espíritos dão na codificação. É uma alegria reler-la.

O sentido do laboratório é esse mesmo. Agora você tocou em um ponto que é muito importante. É o codificador, é um missionário que fazia vocações, mas sempre, eu queria até checar isso com você, pela minha leitura, sempre São Luís assistia no trabalho das evocações. E algumas vezes São Luís interferia, dizendo, não, esse não pode evocar. Não era uma evocação feita às cegas, ele possuía um aparo espiritual, a começar do Espírito de Verdade, o guia dele, mas também do São Luís ali, que era um, que fechecava, orientava, quer dizer, que dá pistas para a gente da grande estrutura espiritual por trás ali, apoiando o missionário.

É isso mesmo? Isso está presente? Totalmente verdade. Vou te dar um exemplo. São Luís, rei Luís IX, faleceu em 1270. Nós estamos falando do rei santo, do rei mais amado da França, presidente espiritual da Sociedade Espírita de Paris. Feito essa designação por Allan Kardec, ele pede para ele aceitar a presidência honorária da Sociedade Espíritual, Sociedade Espírita, presidente espiritual. Aí, São Luís aceita. Kardec convidou o Espírito de São Luís. Aí, vou dar um exemplo. Eles estão em uma reunião mediúnica e um dos participantes quer evocar o filho que está em viagem de navio, um dos filhos, dos companheiros de Allan Kardec da Sociedade.

E São Luís, Allan Kardec, pede permissão a São Luís e São Luís diz, não podemos. Neste momento, o barco está em problemas e nós não podemos interferir. Então, é o que o Arruda falava. São Luís estava a dar a última palavra nos aspectos das evocações. Então, era um espírito lúcido, mas sujeito à equipe do Espírito de Verdade. E São Luís fazia parte da equipe da Verdade, Jesus comandando como Espírito de Verdade. Comandando essa equipe de espíritos. Isso é muito bonito porque às vezes as pessoas são ingênuas, achando que elas podem sair evocando sem um suporte espiritual.

E, aí, acontece aquilo que está lá no Livro dos Médiuns, que o próprio São Luís diz, olha, evocai as rochas e elas responderão. E, aí, a pessoa acaba fazendo papel de bobo. Porque a evocação não tem um fim útil, não tem um suporte espiritual e ela pode se ver, aí, em situações vexatórias, né, bem vexatórias. Agora, Rodovinho, tem uma coisa que eu presenciei, assim, que foi muito emocionante, que foi aquela partitura, aquela música recebida, não vou nem falar de quem, né, que eu quero que você conte. E conta sobre isso, aí, como é que você descobriu, o que foi, conta essa história para a gente, que a gente quer ouvir da sua boca.

Na verdade, traduzindo, a gente descobre muita coisa. Allan Kardec está contando uma reunião da Sociedade Espírita de Paris de maio de 1859. Então, estamos nesse mês e nesse ano. A Sociedade Espírita de Paris está em um… não tem sede própria, então, está no restaurante Duy. E no restaurante Duy há um piano. Restaurante? No restaurante Duy. Era a sede da sociedade? Em Paris, porque ainda não tinha sede própria, que somente em 61, entre 60 e 61, terá. São as lutas de Allan Kardec, igual que nós, Sociedade Espírita, os companheiros, se cotizando.

Então, as reuniões… Por quê? Porque mudou da casa dele, que era em 58, na Rua dos Mártires, a casa dele, Rua dos Mártires nº 8. Olhem que nome. Só que 20 pessoas entravam, todas apertadas. Passava para 30 e poucos. Então, nesse interrede… Não podia mais ficar na casa dele. Parece com alguns grupos que a gente conhece. Então, nessa sociedade, o médium, Monsieur Brion, d’Orgeval, recebe uma partitura mediúnica. E o espírito que assina, assina com um nome muito conhecido na história, Mozart, o grande compositor austríaco, amado por todo mundo, não somente pela Europa, por todo mundo.

1756-1791. Viveu somente 36 anos, Mozart. E o espírito Mozart assina essa página e nós vemos a prudência de Allan Kardec. Recebe uma página de Mozart, do espírito Mozart, mas antes dele tocar essa partitura de Mozart, ele pede para tocar a uma das alunas de Chopin, que frequenta esse grupo mediúnico, a senhorita de Davant. Ele pede para tocar Mozart encarnado. Para que todos possamos, para ver se é verdade a partitura do espírito, Mozart vivo primeiro e depois o Mozart morto. E o povo gosta mais do morto do que do vivo.

Porque se identificam os estilos, são os mesmos. O estilo de Mozart espírito e Mozart encarnado são exatamente os mesmos. E quando toquei pessoalmente essa sonata, me emocionei de tal maneira, porque a gente sabe os acordes, as cadências, Mozart tinha aquela peculiaridade, aquele tom favorito, aquele bemol, aquele sustenido, aquela cadência clássica dele. Então era o espírito Mozart, só que o codificador fez essa checagem antes. E uma aluna de Chopin nasceu. E uma aluna de Chopin nasceu. E Allan Kardec, o que faz depois?

Evoca a Mozart e a Chopin. Ah, onde? Na revista de 59 de maio. Então temos umas 30 e tantas perguntas para Mozart e Chopin através de alguns médios da Sociedade de Paris. Então é toda uma festa espiritual com muita seriedade, com muito amor. E o codificador, a cultura do codificador. E desculpa, e as partituras. E como você descobriu? As partituras, porque nós dissemos, tem que ter partituras. Então como pesquisamos, pesquisamos, foram dois, três anos de pesquisa até encontrá-las no Museu de Londres. Através da Federação Espírita Brasileira e do Conselho Espírita Internacional, contratamos através de alguns companheiros de Brasília as partituras, e as partituras exatamente estão na parte final da nossa tradução.

São cinco partituras que são lindíssimas e colocamos para todo mundo tocar, para todo mundo sufrir dessas bênçãos. Está no Museu de Londres? Como é que isso para lá? Para você ver, estavam catalogadas como se fosse um compositor encarnado. Nem sabiam que era um espírito. Só que lá falava a editora, ele através, o editor é Ledo Ayann, um dos editores famosos da Allan Kardec junto com Dante, Frederic Henry e Ledo Ayann. Então, Ledo Ayann, com 50 centavos de franco, vendia a revista Espírita. Nada, como se fosse um real.

Para vocês verem, era a imortalidade da alma comprovada através da comunicação dos espíritos. Eu queria fazer um corte aqui, porque você disse o seguinte, quando eu toquei a partitura… Bom, quem é o Henrique Baldovin? Posso deixar a minha esposa falar isso? Porque eu me sinto um pouco constrangido. Você sabe melhor do que eu quem sou eu. Então, conta para nós de tudo, viu? Bem, eu estou emocionada. Em primeiro lugar, é meu parceiro, meu companheiro, meu marido importado da Argentina. Ele nasceu em Avellaneda, na Grande Buenos Aires, 26 de outubro de 1967.

Nos conhecemos em 1989, em São Paulo, num curso de evangelização espírita para infância e juventude. Em 1991, já estávamos casados. Antes disso, ou no decorrer disso, traduzimos juntos uma obra para o espanhol, Vereda Familiar, de Raul Teixeira, um médium. Constituímos família. Ele optou por morar no Brasil, mesmo porque eu já tinha uma profissão estabelecida. E ele podia ser professor. Ele é professor de música, jornalista. Ele tem mestrado em música. Então, ele optou por vir para o Brasil. Eu fui para a Foz do Iguaçu, sou paulista, por conta da Itaipuba Nacional.

Meu pai nos levou com cinco filhos, nos idos de 1977. E ele veio para a Foz do Iguaçu. Estamos lá, constituímos família, temos três filhos. Em casa, há quatro pianistas. A mãe dele, a senhora Olga Abud Baldovino, que eu tive a honra de conhecer, uma pianista de primeira, abdicou da profissão internacional, vamos dizer assim. Ela seria uma concertista famosa, abdicou para cuidar da família. Uma senhora excepcional, dona Olga. Vi poucas vezes, mas me tocou o coração. Eu a conheço mais agora que ela está desencarnada do que encarnada.

E Henrique se tornou esse tradutor. Depois eu fui cuidar dos filhos. Pianista, não? Professor. Ele deu aula para uma grande colônia chinesa em Foz do Iguaçu, no auge da colônia chinesa. Nisso vieram os filhos. Ele continuou a profissão grande espírita. Foi sendo conhecido pelo movimento espírita, sendo respeitado, e ele tem um grande respeito, conhecido pelo movimento espírita no Brasil e no mundo. Fomos cuidar dos filhos e ele foi cuidar da tradução quando os filhos já ficaram maiores. Aí ele começou a se dedicar um pouquinho mais à tradução.

Então eu posso te dizer que… São quantos filhos? Conta para a gente. São três. Eu sei quantos são, mas conta para a gente. São três. Guilherme Felipe, 20 anos. Pianista também. Está estudando. Ele ama música, se encontrou. Ele teve a honra de tocar para Divaldo, para Raul. Então ele ama, adora. Estuda na Universidade de Integração Latino-Americana de Foz do Iguaçu, mas já foi convidado para ir para fora. E a Laura Beatriz, de 18 anos. Está estudando para a médica. Quer ser pediatra. Estevão Rafael, de 16 anos. Está no terceirão.

São nossos tesouros. Pianistas também, desde cedo. Os três tocam piano? Desde três aninhos, o pai ensinando. Então na minha casa eu tenho música há 25 anos. Todos os dias da minha vida, todas as horas do dia. Se não é um, é outro. Se não é outro, é um. Mas o grande lado do Henrique é a doçura, a gentilidade, a gentileza que ele tem com as pessoas. Ele faz amigos muito fácil, facilmente. E o que eu admiro nele é a perseverança, a dedicação da tradução. Porque ele trabalha, professor, ganha rios de dinheiro. Professor é valorizado no Brasil.

Exatamente, no Brasil. Professor ganha rios de dinheiro. E chega em casa e nós atendemos a casa espírita, atendemos a família, como toda família normal. Mas aí quando nós voltamos para casa, os filhos, eu, vamos descansar e ele vai traduzir. Então ele tem de três a quatro horas de sono por dia para poder dar conta da tradução. E com bom humor, atendendo suas tarefas, para mim é impressionante. Muitos de nós sem dormir, é uma tragédia. Mas a dedicação, a admiração, o reconhecimento, esteve falando recentemente em Brasília, no início dos cursos do NEP, foi isso?

É dos cursos da FEB, de um modo geral lá. Foi apresentar lá os doze apóstolos, a história deles. Então esse é o Henrique, não é só porque é meu companheiro, enfim, e ele tem a honra de ter amigos do Naipe, de Aroldo Duque. O que é isso? E de Ivaldo e Raul, agora conhecendo aqui, Tiago, que eu só ouvi aqui. Nossa, tem uma honra de ser amigo dele, o que é isso? Este é o Henrique, mas seria… Pois é, eu conheci o Henrique, eu o conheci em Brasília, lançando uma das edições da Revista Espírita, salvo engano foi a de 1858, 59, 1859, a segunda.

A da Sonata de Mozart. E era uma reunião do Conselho Espírita Internacional, então havia representantes de vários países do movimento espírita, e o Henrique foi ao piano e aí mostrou para a gente na prática o que Kardec viveu na sociedade parisiense de estudos espíritas, que ele tocou Mozart na sua obra Enquanto Encarnado, e depois tocou essa sonata para a gente. Foi uma experiência assim… Nós temos isso gravado em álbum? Temos gravado em um DVD. Eu dividi ao Arouca. Então nós vamos ver agora. Já estão pedindo autorização e está aí para você assistir e se emocionar com a gente.

Então neste dia de festa espiritual dos 110 anos da Federação Espírita do Paraná, vamos interpretar ao piano como naquele dia distante da sociedade de Paris. Primeiramente uma música de Mozart, Encarnado. Como não sabemos qual obra foi executada, interpretaremos um minueto de sua autoria, em ritmo moderato, que é o mesmo andamento musical que o histórico e raro fragmento de uma sonata do espírito Mozart, que tentaram silenciar 150 anos atrás, mas que não conseguiram fazê-lo, porque estas partituras encontram-se mais vivas do que nunca, agora reproduzidas em facsímiles e à disposição de todos os interessados.

E logo após executaremos um trecho musical de Chopin, como também aconteceu naquele dia histórico ante o emérito codificador Allan Kardec. Muitíssimo obrigado pela sua atenção. Música Música Música Música Música Música Música Música Música Música Eu estava conversando com o Henrique antes de a gente começar a gravar, e ele podia contar para a gente um pouco sobre a personalidade de Allan Kardec. Então, Allan Kardec é uma pessoa muito discreta, muito modesta no falar dele próprio. Então vemos poucas vezes na Revista Espírita e nas obras dele falar em primeira pessoa e falar na sua experiência com sua esposa.

Mas os amigos dele falaram sobre o valor do codificador, do emérito espírita Allan Kardec quando da sua desencarnação. Então Alexandre Delaney, o pai de uma das glórias do espiritismo Gabriel Delaney, contava que na França, naqueles invernos rigorosos, ele soube Allan Kardec que uma das pessoas tirava o assoalho para esquentar-se, colocar na chaminé e Allan Kardec tocou o coração com essa se compadeceu dessa criatura que quebrava a própria casa para poder aquecer. Então mandou algumas moedas de ouro alguns francos e toda a codificação para que a pessoa nunca mais faça aquilo.

Alexandre Delaney contando isso no túmulo de Allan Kardec. Que só se sabe essas coisas que ele fez nesses momentos de homenagem póstuma. Allan Kardec era assim, era calado, mandava muitas vezes dinheiro através de cartas, mandava através de família, evitou muito suicídio. Nós temos aí páginas através das mãos venerantes de Chico Xavier contando o que seus livros fizeram nas almas das pessoas através dessa depressão que levava ao suicídio. Então o codificador tem uma história, é uma alma muito grande. Além de ele ser professor, pedagogo e ter uma estrutura, era uma pessoa preparada, era um missionário.

Foi estudar em Iverdã em 1815 na melhor escola da época e com a melhor pedagogia e criou esse espírito de fraternidade e de tolerância porque ele teve que estudar com protestantes, com católicos, com gnósticos, com ateus, que era a escola de Pestalozzi. E ele aprendeu a valorizar, tolerar, argumentar e nem todas as pessoas conseguem escutar alguém falar uma coisa, ficar calado e se respeitar ao ponto de vista. E esse Allan Kardec reflete nas obras dele essa tolerância. Tanto assim que quando fala dos muçulmanos, dos judeus, dos católicos, faz de uma maneira tal que quem for dessas religiões já ama Allan Kardec pelo fato do respeito a todas as religiões.

Uma coisa que me passa impressão e quero te perguntar, devido a esse contato que você tem com a Revista Espírita, a minha área era do direito. Então eu estou exposto o dia inteiro ao debate e nem sempre o debate fraterno. Muitas vezes o debate vaidoso, que a pessoa quer provar a inteligência, provar a astúcia na argumentação. E Durante o curso, durante a profissão, a gente é obrigado a ler vários autores, a estudar retórica, argumentação. E quando a gente lê Kardec, a Lógica dele, a maneira como ele constrói os argumentos, organicidade, a coesão da argumentação dele, eu não me canso de surpreender.

Parece assim, depois de tantos anos, mais de 25 anos de doutrina, eu fico muito impressionado com a capacidade dele de articular o raciocínio. Você tem essa sensação também? Te causa essa impressão? A mesma, Haroldo, a mesma. Quando Camille Frémard falou no túmulo que ele era o bom senso encarnado, e Camille Frémard, uma das autoridades, o maior astrônomo vivo daquela época. Nós vemos esse bom senso que o Haroldo fala nos seguintes exemplos, que eu vou me permitir contar. Em outubro de 1861, as sobras são queimadas em Barcelona.

Se se imagine a intolerância religiosa queimar em praça pública, onde eram condenados a pena de morte, os reus. E Allan Kardec, depois, na revista de novembro, faz uma argumentação dizendo que, pelo direito internacional, as obras deveriam voltar à França, porque ele havia pagado os direitos alfandegários, aduaneiros, normalmente. Mas os espíritos aconselham não fazer nenhum… Nenhum processo. Nenhum processo pela divulgação que o fato. Mas o primeiro que diz é que os direitos, se não é aceita a obra, tinha que devolver-se a obra.

Era mandada para Espanha, para o escritor e livreiro Maurice Lachatre. Então, essa tranquilidade emocional de Allan Kardec em um momento de grande exacerbação, queimar os livros, a gente imagina a gente falar com a mesma tranquilidade. Isso também me emociona. Quando, em 1964, a obra homenageada ao Evangelho Segundo Espiritismo, em maio, é colocada no Index Prohibitorium por falar em Jesus dessa maneira tão emocionante. E é colocada proibindo-se ler. E naquela época, proibir ler, excomungar, alguém era sair da igreja, sair da cidade, a pessoa não podia, não tinha direito, não tinha nada.

Ele era excomungado, os filhos da escola, ele era da sociedade. Perdia-se muito na excomunhão. E Allan Kardec mantém a posição de espírita atuante e diz para os profitantes espíritas nós vamos criar, na vila seguir, na minha casa, vários apartamentos para aqueles espíritas idosos que sejam expulsos das suas casas, venham morar conosco. Esse Allan Kardec o homem, o caridoso, dispor do seu patrimônio para dividir com aqueles expulsos por motivos religiosos. E em um tom sem atacar a igreja, quantos debates fez com os padres, os pastores e ele não perde a compostura.

E é muito difícil um missionário, por isso que ele é missionário, não perder o equilíbrio nesses momentos de nervosismo. Esse era Allan Kardec. Impressionante, não é? E fora a lucidez dele, não é, Bodovino? Porque ao longo da história a gente tem grandes escritores que trataram do mundo espiritual, das questões espirituais, das realidades espirituais, mas na maioria esmagadora esses escritores em alguns momentos derrapam para o terreno do misticismo, do espírito de sistema, criam sistemas querendo explicar tudo, isso é muito comum, não é?

Você tem grandes pensadores espiritualistas e de repente o sujeito escreve um livro que ele quer explicar o universo, a mente de Deus, ele quer explicar tudo numa teoria em cinco capítulos. Isso nunca aconteceu com Kardec. Não é? Exatamente. Você falou, agora me lembrei de Swedenborg. Swedenborg tinha um Intelecto enorme da Suécia, só que descambou para o misticismo e Acreditou falar com Deus. E Allan Kardec na revista Espírita de 59 evoca Swedenborg, Emmanuel Swedenborg, e faz essa pergunta, primeiro ele fala que os livros dele são pioneiros na espiritualidade, mas se aquela conversa com Deus, diz Allan Kardec, para você ver a cultura do codificado, se era certa aquele espírito que ele intitulava Deus, não, meu mestre, fala Swedenborg, não meu mestre, eu estava enganado, era um espírito que se fez passar por Jesus, ou por Deus, ou por um espírito superior, para que eu acreditasse naquela teoria mais rapidamente, mas eu me equivoquei nessa parte, mas a minha obra ainda é seguida.

Para você ver como Allan Kardec, o bom senso e a lucidez ainda para uma personalidade do porte de Swedenborg, que era um sábio da época, sábio consultado pela rainha da Suécia, pelos ministros da Suécia, ele, ainda assim, ele disse e pergunta se não havia uma equivocação naquela questão. Isso que a mim me impacta Allan Kardec, ele não tem problema de falar sobre o bom e o mal de todos os escritores, o mesmo fez com Goethe, na Revista Espírita de 59, ele evoca o grande maior poeta da língua, o grande poeta alemão Goethe, o grande escritor de Werther, e pergunta se aquela obra, o que ele pensava do Werther, do desfecho, quando ele se suicida, e Goethe diz, meu mestre, assim tratam Allan Kardec do mundo espiritual, eu errei no desfecho, não precisava ele ter se suicidado por um problema amoroso, ele poderia haver enfrentado problemas, obstáculos, o que acontece?

Depois do suicídio, vários se suicidaram na Alemanha e na Europa, e Goethe ficou como responsável espiritual por aquele suicídio coletivo. Então Allan Kardec podia conversar de igual a igual, porque ele tinha autoridade moral. É bonito isso, não é, Rodolfo? Porque ele também, ele respeita, ele sabe a grandeza, mas não há idolatria em Allan Kardec, Allan Kardec não idolatra nenhum ser humano, coisa que é difícil, porque às vezes a gente se encanta com as qualidades e acaba idolatrando, e é uma coisa que a gente precisa se policiar para não fazer, admiração é uma coisa, idolatria é outra.

Idolatria impede o bom senso. E a gente perde a dimensão humana da pessoa, esquece que a pessoa, eu me lembro de um caso muito engraçado, que o Chico estava saindo de Uberaba para visitar a família em Pedro Leopoldo, de ônibus, e uma pessoa descobre um espírito, Chico, você está aqui, imagina, cruzar com o Chico, e aí o ônibus não há parada, o Chico vai ao banheiro, e aí a pessoa Chico fala, Chico, você vai ao banheiro? Então, é o auge da ingenuidade, de não imaginar da condição humana do missionário, da sua fragilidade humana, das situações que ele está exposto, pelo simples fato de ele estar encarnado na espécie humana.

Por isso o doutor Demerck dizia, descansa, aquele homem tinha um corpo para viver 100 anos, um corpo alemão parecia, mas ele era francês, descansa, só que durante a madrugada ele fazia, escrevia, comparava, e aquele Lampião, o que se desprendia do Lampião, o doutor Gamarra deve saber mais do que nós, aquela fumaça foi prejudicando o pulmão do codificador, e o doutor Demerck diz, o teu trabalho está fante, precisa descansar, mas não terminei as obras e tenho que responder as cartas, e as viúvas que me escrevem, e os companheiros que perderam os filhos, esse era o codificador, mas foi chamado a atenção, para ele conseguir, tanto assim que ele teve, que descansar forçosamente, e no seu livro, o inferno, o doutor Demerck é mais duro e diz a título, pedindo aos espíritas para deixarem de escrever, para que ele possa repousar, porque fisicamente ele estava atingido por aquela fumaça de carvão, que a gente não sabe cientificamente o nome, mas era o Lampião da época, hoje não temos luz elétrica, mas na época era o carvão, né.

Bom Domingos, você podia falar um pouquinho para a gente sobre as curiosidades dentro da revista Espírita. Tiago, uma das grandes curiosidades é que na revista Espírita, os espíritos assinam com seu próprio nome, depois Alain Kardec quando traslada essas mensagens para o Evangelho segundo o Espiritismo, para o livro dos médios, principalmente, ou para o livro dos espíritos, Alain Kardec coloca um espírito amigo, um espírito israelita, um espírito total, mas na revista está o nome verdadeiro. Então, quem comparar a mensagem e estudar as duas, as três obras, por isso essas referências cruzadas, eu adoro, Alain Kardec nas 30 obras completas, ele faz constantemente referências cruzadas.

Ele é um professor, porque ele não tem tempo para desdobrar, então ele diz, veja o livro dos médios, veja a revista Espírita de 59, veja o Espiritismo na sua mais simples expressão, e tem 30, etc. E, em homenagem a uma obra aqui presente, do qual gostamos tanto, esse espírito israelita, no capítulo primeiro do Evangelho segundo o Espiritismo, no item A Nova Era, o capítulo se chama Não vim destruir a lei, e é uma mensagem de um espírito israelita. Imaginem, estamos no capítulo que fala de Moisés, de Jesus e do Espiritismo, das três revelações, só que na revista está o nome desse espírito israelita.

E essa é a curiosidade, quando a gente lê Mar do Keu, o Mar do Rê, como diz o nosso querido Haroldo, é um sábio da Antiguidade, e esse é o autor do capítulo A Lei de Moisés e a Lei do Cristo. Deus é único, Moisés é o profeta que Deus enviou, então tem a mesma estrutura, são as mesmas mensagens, um assinado por Mar do Keu e outro assinado por um espírito israelita. Então a gente vai estudando como que Allan Kardec é sábio, vai tirando os nomes, vai colocar o sinônimo para que o espírito da letra prevaleça. E isso faz infinidade de vezes.

Em uma mensagem na revista Espírita, está François de Genève, o grande Francisco de Ginebra, o grande Francisco de Sales, famoso criador das Escolas Salesianas, Francisco de Sales, um santo da igreja hoje, só que na revista, isso está na revista Espírita, uma mensagem da revista de 60. Mas no livro dos mesmos tem a mesma mensagem, Haroldo, e diz Pascal. Então a gente tem que pesquisar qual é a data, aí são as notas do tradutor, qual é a data de Francisco de Sales? E a data de Pascal? Será que é o mesmo espírito? Será que são espíritos que se querem identificar com páginas diferentes?

Esse estudo que Allan Kardec ele faz de propósito para a gente amadurecer e olhar, porque na revista temos que ler, releer e estudar. São esses três passos. E viver, que é o passo mais difícil que falamos há pouco. Então, se nós não lemos, relemos e estudamos, menos vamos viver. Então essa é uma das curiosidades que eu gosto muito. E o que você descobriu dessa do Pascal? Você deixou todo mundo com a fuga atrás da orelha? Aí fui descobrir na história Pascal, era um grande religioso, jansenista. Grande religioso. Aí, Francisco de Sales, um santo de igreja.

Aí a gente faz algumas elucubrações, mas como tradutor nos colocamos para que o leitor faça suas conclusões. Nós colocamos as datas e as datas não batem, ou seja, podem ser, o mesmo espírito pode ser, porque são datas diferentes. Agora, por que Allan Kardec coloca numa mensagem um nome e em outra mensagem outro nome? Nós já sabemos isso quando ele fez com Jesus e o Espírito de verdade. Em algumas passagens está o nome Jesus e em outras o Espírito de verdade. A mesma mensagem. A mesma mensagem. Esse respeito que Allan colocou na Revista Espírita.

Então, essas curiosidades e são várias, são muitíssimas. Nós pensamos que são 7780 páginas as 30 obras, em francês. da Revista Espírita. 57% do total em Revista Espírita, Revista Espírita. Ou seja, temos um 57% para devassar ainda. A base são 2500 páginas em origem na francesa. Mas quase o dobro para secundar toda essa base. E a gente não consulta. Não estuda. E me parece, que ocorreu algo mais grave ainda no Movimento Espírita. Que nós perdemos um espaço de interlocução no Movimento Espírita para a experimentação de ideias.

Ou seja, como a gente não tem uma tribuna livre, como você não tem um espaço para testar ideias, ocorreu algo muito triste no Movimento Espírita, que é o seguinte, tudo que é psicografado é publicado e tudo que é publicado através da psicografia, as pessoas leem como se fossem verdades. E todo médium quer pôr o nome do Espírita. Quer dizer, aquele cuidado com a doutrina espírita, aquele cuidado em introduzir uma ideia, aquele cuidado em se checar a universalidade da ideia, e aquela humildade em submeter as ideias ao controle universal, nós perdemos.

E muitas pessoas, eu acho uma coisa muito engraçada, quer dar até esse testemunho aqui, tem pessoas que se sentem constrangidas de me mandar um e-mail, alguma coisa, quando eu cometi algum equívoco, errei alguma data, deu uma… A pessoa, tem umas que não vem e xingam até a minha mãe, mas tem outros que ficam constrangidos, como se a gente fosse ficar ofendido da pessoa estar corrigindo, mas meu Deus, o conhecimento é uma construção, e você está fazendo ao vivo ali, você comete lapsos de memória, você comete equívocos mesmo, você confunde, e esse processo de construção, você lança uma ideia, aí vem alguém, acrescenta um ponto, amadurece, ou seja, quando a ideia está amadurecida, está debatida, aí sim aquilo deveria ser publicado num livro, e isso nós perdemos.

A revista Espírita onde fala sobre Arrago, 1859. François Arrago, um astrônomo, um biólogo, um pesquisador, aí Allan Kardec pergunta sobre a evolução do espírito humano, e Arrago diz aquela famosa resposta, que o espírito, desde o átomo até o arcanjo, só que no livro dos espíritos, na questão 540, não há nome, mas na revista, François Arrago, é alguém que está preparado para responder, e aí Allan Kardec começa a fazer observações, mas é possível o espírito passar pela fieira dos átomos, do mineral, do vegetal, ou seja, ele não fica atrás na observação a um grande como Arrago, e Arrago vai, só que ele não publica o nome no livro dos espíritos, mas deixa a constância, e esse espírito vai falar sobre a propriedade que tem os espíritos de influírem na natureza.

Então há um artigo na revista Espírita que fala as tempestades, se os espíritos podem influir no clima, e aí o espírito responde que até nas guerras os espíritos se influíram no clima a favor ou em conta de determinadas pátrias, porque Deus sabe que aquela pátria precisa ficar livre para receber espíritos, e então há algumas, por exemplo, a tempestade de várias batalhas foram programadas, e os espíritos dizem que os espíritos podem influir na natureza, então se os espíritos podem influir na natureza, que espíritos comandam?

Os espíritos da natureza. Uniamos os famosos espíritos que nós chamamos intermediários, tudo isso é debatido, observado, e claro que vai ter pontos de Chocar-se, de opinião, mas Allan Kardec até que ele não fica claro se os espíritos influírem na natureza, ele não para, e a conclusão é, os espíritos não somente influem, como podem até mudar um clima totalmente adverso, como aconteceu na batalha de Solferino em 1859, para que a Itália se independisse, porque Nobras Postumar diz que a Itália merecia, por tudo o que ela fez na Renascença, o espírito das artes e da liberdade, a Itália merecia ser uma, lembra que a Itália está dividida, no norte a influência austríaca, no meio era todo território papal, o Vaticano não era uma cidade, era metade da Itália, e a bota que eram os italianos estava só na Sicília, no sul, a Itália merece ser uma, então a tempestade de Solferino contra os austríacos, para que Garibaldi tenha tempo de subir o lado norte e unifique a Itália, tudo isso está em Nobras Postumar, está na Revista Espírita, a tempestade, nós temos que ter esse olhar histórico, geográfico, literário, temos que descobrir quem é, quem não é, não estamos conversando com João da Silva, estamos conversando com um imortal da academia da frase.

Nossa, e é incrível, né, Bodovino, porque tem ocorrido coisas muito curiosas ultimamente, as pessoas destacam uma frase de Allan Kardec em cima de uma frase e tiram uma conclusão, esquecendo-se que é preciso ter uma visão sistêmica, é preciso olhar nas 30 obras, pesquisar aquele assunto, para que você tenha as várias abordagens que o codificador fez ao assunto, aí sim você tem uma visão de conjunto daquele tema. Eu acho que é uma coisa muito interessante que não foi feita ainda, que era, mas deveria ser feita por nós, um estudo histórico e datado da evolução das ideias trabalhadas pelo codificador.

Então, começar ali da primeira edição do Livro dos Espíritos e ir fazendo uma timeline, uma evolução das ideias, ó, pela primeira vez aqui ele trabalhou esse tema, aí na Revista Espírita apareceu, aqui apareceu isso, até concluir, que aí você tem uma evolução da linhagem das ideias, da temática, um estudo temático e temporal. Seria muito importante ser feito isso, e aí eu acho que essa é a grande virtude da sua tradução da Revista Espírita, porque a abundância e a riqueza das notas facilita esse processo de colocar as ideias nessa linha do tempo, né, de você organizar o pensamento, porque é o que Kardec falava, não pense a pessoa que com uma leitura vagamente raciocinada, ela vai entender o Espiritismo, porque não é assim, né.

O próprio codificador, alguns temas, ele demorou anos para ter uma compreensão e para conseguir formular, e algumas coisas ele deixou guardada, porque não houve tempo para ele formular adequadamente, né. Então, tem que ter esse cuidado, né, Baldovino, da nossa parte, né. Baldovino, eu queria que você falasse um pouco para a gente, assim, rápido, sem necessidade de ser exaustivo, né, sobre quais médicos, o que você tem de notícia, a gente sabe de alguns principais, assim, mas onde estavam esses médicos, da onde ele recebia essas comunicações, como é que era essa rede mediúnica de que Kardec se servia, o que você pode observar aí?

Dá uma panorâmica para a gente, assim. Então, Allan Kardec é muito cuidadoso nesse aspecto. Por quê? Porque o exemplo das irmãs Fox e o que elas passaram, o sofrimento delas ao terem seu nome publicado, e quando elas descambaram na apresentação dos espetáculos, notei que Allan Kardec colocava os nomes dos médicos com iniciais, na revista Espírita, mas em outras mensagens colocava o nome por extenso, mas nos livros da codificação não colocava. Então, eu vi fazendo uma espécie de índice antroponímico, que está na revista.

Então, você procura, por exemplo, por letra, e diz do lado, irmãs de Fox, depois diz médium R, três pontos. Em outra comunicação, médium Rodolphe, que é o mesmo. Então, aí está observado, página tal, para a gente seguir essa evolução, porque é interessante, ele cuida os médiums e, ao mesmo tempo, são médiums da Sociedade Espírita de Paris, ele os preserva, mas, ao mesmo tempo, se incentiva o médium de Santo Agostinho, tem médiums que se… Senhor Mohan, por exemplo, Mohan se comunicava mais através de Santo Agostinho, ele recebia as comunicações do grande santo de Ipona, o Espírito de Verdade, o senhor Didier.

Senhor Didier? Tem dois Didiers, Didier, o editor, e Alfred Didier, que é o filho. Então, Alfred Didier recebe o Espírito Laminé, o Espírito de Verdade, então, há vários Espíritos que têm, não sei se seus médiums preferidos, mas têm a sintonia, preferentemente, com aquele tipo de médium. E isso é interessante, fazer um estudo sobre isso, porque Allan Kardec fez aqueles iniciais, só que em outros artigos coloca o nome por extenso, graças a Deus, e a gente registra, mas na codificação quase não tem referência aos médiums.

E mais, ele cita no capítulo primeiro, na introdução do Evangelho segundo o Espiritismo, que a pedido dos médiums e para protegê-los, prefere ele tirar, mas na revista ele os respeitos preserva e os poucos nomes que temos, temos registrado. Tem as meninas… Meninas Bodin, Julie Calorini, Irmãs D’Ifo, que são as mais conhecidas, mas tem muitos desconhecidos. Tem a Jafé, que fez a revisão do livro dos Espíritos. A Srta. Jafé, isso. Ruth Celina Jafé e tem outros que são extraordinários. Esse filho do Didier, eu não conhecia ele.

Alfre Didier, ou Didier Filho, como diz Allan Kardec várias vezes. E tem vários, tem muitos. Por exemplo, o Espírito Israelita se comunica através do Sr. Só que depois, esse Sr. R se comunica, o Espírito se comunica através do Sr. R na revista Espírita, de 61 de março. Só que em agosto e em setembro se comunica o mesmo Espírito através do Sr. Rodolfo. Então sabemos que é o mesmo. Que o neto de Mardokeu, ele mesmo diz, meu avô, que participava do judaísmo e respeito que o espiritismo tem para o judaísmo, identifica o médium.

E ele recebia comunicações também de outros países, de outros locais, assim? Mil centros espíritas catalogados, ele se comunicava por correspondência com mais de mil centros. Então, é o que você está falando. Ele não aceita a primeira mensagem. Se a mesma mensagem vem de Polônia, de Cracóvia, depois vem da Alemanha, depois vem da África. Ele recebe muitas comunicações da África, por exemplo. E é o mesmo teor, aí ele a publica. Somente depois de fazer esse cotejamento. Ele não publica da primeira vez. Que é essa a visão que nós temos que ter.

Não publicar da primeira vez. Esse é um grande equilíbrio. Por exemplo, o bispo de Algeria. Onde é que é Algeria, gente? Algeria é a capital da Algéria. Algeria. Algeria é a África do Norte. E lá tinha bispo católico. Contra o espiritismo. Quantas vezes o padre falava nos púlpitos contra o espiritismo. Mas não importava. Os espíritos mandavam através dos médios de Algeria, capital da Algeria, e mandavam bispo. E há vários bispos. O bispo de Algeria torna-se espírita. E no espírito escreve uma mensagem Monseignor Dupout.

Dupout seria. Está na revista Espírita 61. Procurem. Quando vocês vejam no índice antroponímico Monseignor Bispo de Algeria, há uma pesquisa que levou alguns meses para identificar. Por quê? Porque era o bispo da cidade. Monseignor Dupout. Era muito caridoso. Era muito ecumênico. O catolicismo do África do Norte não gostava dele por essa abertura. Quando desencarna, diz o espiritismo é uma verdade. O Monseignor Bispo é a maior autoridade. Imaginem a repercussão disso na época. Ter uma comunicação de um espírito bispo.

É incrível. Aí tem o bispo de Ipona, Santo Agostinho. Vocês imaginem jogar evangelista, espírito Haneman. O espírito Fenelo. Há uma das curiosidades que eu esqueci de contar. Um viés pouco conhecido de Allan Kardec. Allan Kardec era tradutor, Tiago. Além de professor, pedagogo e codificador em mérito da autoria, era tradutor de obras. Do inglês para o francês, do alemão para o francês, do holandês para o francês. E uma das traduções ele faz de um dos seus escritores favoritos. François Delamotte Fenelon. Que será futuramente um dos espíritos da codificação.

O grande Fenelon. E ele traduz Telemachus, que é a grande obra de Fenelon. E traduz os três primeiros livros do alemão para o francês. E nós conseguimos essa tradução. E está na Revista Espírita de 60 o frontispício com o título de professor Hipólita Leão de Nizar Rivai, que ele já era tradutor. Então nós vimos essa cultura enciclopédica de Allan Kardec. Esse é o nosso codificado. Traduzir. Umas ideias de Fenelon. Nós que sabemos que Telemachus fala da história de Ulisses, o grande protagonista da Odisseia. De Penélope, o símbolo da fidelidade.

Então, ele de Telemachus, que é o filho de Ulisses e de Penélope. Ele tem um fundo moral na história. Ulisses é o símbolo da dedicação e da perseverança, porque ele vai na Guerra de Troia, depois dura 20 anos para voltar e a esposa esperando fielmente. Todo mundo quer ser casado, porque a rainha de Itaca, mas ela, fiel, olha a fidelidade. Esperar o amado. Ela tecia durante o dia e destecia. Você fala? Isso. Durante a noite. Para que nunca acabasse. Para que dizia, mas eu tenho muitas coisas para os pretendentes deixá-la tranquila.

E esperou o amado. E o amado chegou encapuzado junto de Telemachus. Isso que traduzia Rivail para a moçada. E ele permitia as meninas, moças, participarem da mesma escola. Dois meninos. Ele foi vanguardista da educação, que naquele tempo do século XIX não podia juntar meninas e meninos, moças e moços numa mesma escola. Só que Amélie Gabrielle Boudet, sua companheira amada, já tinha outra visão do que era a educação. Era o respeito. Então, traduzindo essas obras para a moçada da época, o respeito, a fidelidade, paciência, tolerância, respeito.

Esse é o nosso Rivail, nosso professor amado codificador. Pois é. Você falou isso sobre a questão da mocidade. Nós estávamos conversando aqui um pouquinho e eu te perguntei, com toda essa efervescência do espiritismo na Europa, por que essa chama apagou? Então, temos notícia que, na época de Alain Cardin, um grande grupo de jovens, capitaneados por Gabriel de Lannes, começou um movimento excelente. Mas o codificador desencarnou. O movimento que ele liderava não esteve à altura após a sua morte, porque deixaram de investir na evangelização infantil-juvenil.

O que o nosso Brasil tem hoje é essa experiência fantástica. Muitos países, não somente a França, descuidaram da educação dos jovens e da criança. Minha esposa é coordenadora do grupo de jovens. Eu vou passar a palavra rapidamente para ela, para ir a nos contar a importância da juventude, se você permitir, Haroldo, porque ela tem mais experiência, ela trabalha com jovens, e ela vê o brilho nos olhos dos jovens do espiritismo como o espiritismo prático. Porque não somente a Europa, a América, fora do Brasil, esqueceu dos jovens, Tiago.

E esquecendo dos jovens, terminou a geração dos adultos, e cadê os continuadores? Aí o movimento espírita não resistiu e acabou em muitos países. A nossa experiência realmente confirma o que o Henrique falou, porque infelizmente hoje muitos pais espíritas, ou dito espíritas, têm a liberdade de escolha, então esse tesouro, esse manancial que nós temos, eles não apresentam os seus filhos numa espécie de egoísmo, ou de descrença, não sei, e não levam, não carregam, não incentivam, não motivam os seus filhos a participarem.

E nós que estamos na evangelização desde sempre, nós verificamos hoje essa triste realidade também no Brasil. Na nossa experiência, você estando junto com o jovem, você participando, você motivando, você mostrando a doutrina como ela exatamente é, o jovem se apaixona, ele quer falar, ele quer comentar, ele quer fazer palestras, ele começa a amar o codificador quando você traz essa proposta desse grande pedagogo que Kardec foi. A nossa experiência é desde sempre, começamos muito cedo, fomos evangelizar nos anos 70, no interior de São Paulo, quando não se ouvia falar ainda em evangelização.

Meu pai era barrageiro, e essa vida de barrageiro nos fazia mudar. E na cidade chamada Ilha Solteira, que construía lá a usina de Urubupungá, lá para aqueles lados, nós já tínhamos evangelização. Recebemos Chico Xavier na Casa Espírita naquela… O que eu sabia de Chico Xavier, ele autografou o livro Tintino para mim, tem até hoje. Fizemos poesias, cantamos para Chico Xavier, ele aplaudia, e abraçou, beijou toda aquela criançada. E eu acho que isso ficou, né? Trabalhamos a vida inteira com crianças, hoje estamos com jovens em nossa casa.

Nossos jovens hoje lêem poesias, adoram Alta de Souza, e mais ainda porque você recita a grande poesia dela, né? Então eles sabem decor. Então, adoram poesia, adoram ler, nós temos o cantinho da leitura, o cantinho lúdico pedagógico, e eles adoram estudar e trazer os temas. E quando que eu posso fazer palestra? Nós já temos jovens de 16, 18 anos, já coadjuvando nesse trabalho. Então, investir realmente. E aí ele não tem medo da morte, ele não tem medo da… Ele sabe que a vida futura existe, o que o aguarda, ele não tem medo de assombração, ele debate a altura.

Às vezes a gente fica até temeroso. Meu Deus, o que eu estou fazendo com a cabeça desses jovens? Eles já estão ganhando de mim, já não sei responder. Me dá um tempo, vou pesquisar. Me dá um tempo, vou pesquisar. Então, a criança precisa beber no leite materno. Sabe? Não há uma doutrina maior do que essa, do que a nossa, para oferecer às nossas crianças e aos nossos jovens. E aqueles que têm os pais conosco na Casa Espírita demonstram essa realidade. Os turistas que vão e deixam na porta e voltam para pegar depois, é uma outra realidade.

Mas aqueles pais que estão estudando conosco, que estão vivenciando, que estão juntos. Então nós temos aquele triângulo, a escola de evangelização, a criança ou o jovem e o evangelizador. Esse resultado é fascinante, é único. Sou apaixonada por isso. Tanto quanto o Henrique é apaixonado pela Revista Espírita, eu sou pela evangelização infantil juvenil. Mas nós chegaremos lá, porque a nova era está aí. E nós já estamos reconhecendo alguns espíritos já entre nós, que já demonstram uma capacidade muito maior que a nossa.

Já estamos dando aula. Então, essa realidade, felizmente no Brasil, de investir no jovem em alguns pontos é altamente positiva. Queremos dar esse alerta. Invistam mesmo na evangelização. Mas a qualificação do evangelizador é fundamental, porque se você investe e recebe a criança, recebe o jovem, mas não tem um evangelizador qualificado, você mata o trabalho. Não adianta. Então, você tem que estar atualizado, falar na linguagem do jovem, mas sem desmerecer Kardec, falar Kardec para ele, com responsabilidade, com autoridade, com respeito, com dignidade, aí o jovem fica pujante.

Essa é a nossa experiência. E o que vai garantir a perpetuidade do movimento. A continuidade do movimento. E a gente leva a tocha até um certo ponto, depois a gente tem que entregar. Temos que preparar, muita gente segura, não investe na evangelização, e o centro espírita fecha, porque desencarnamos, adoecemos, ficamos numa cama. Eu falo que é um espírito que a gente vive hoje, né, é o espírito do fast food. Todo mundo quer as coisas em cinco minutos, mas a pergunta é, você produz um bom vinho em cinco minutos? Você produz uma sinfonia em cinco minutos?

Uma grande obra literária? Não é assim. Aquilo que vai perdurar, aquilo que vai varar as eras, as gerações, é obra de um esforço lento, e tem temas que não tem como você resumir. Exato. Para preparar, porque demora. É muito bonito, né? Mas, Balovinho, nós estamos chegando ao final, aqui, do nosso podcast, sobre a Revista Espírita. A gente queria que você falasse uma palavra final, aí, sobre a Revista Espírita, para quem está ouvindo, para quem não conhece, se você tem alguma dica de abordagem, de leitura da revista, o que é que você sugere?

A dica é começar a revista pelo primeiro fascículo e deixar-se levar pelo espírito do codificador. E ele é um pedagogo, não esqueçamos, ele sabe, ele, por exemplo, coloca o papel da mulher, um artigo, e no próximo tem uma entrevista com o espírito de uma mulher. No outro, no seguinte, ele entrevista um dirigente da Índia que obrigava as mulheres a se queimarem o corpo quando o marido morria. Ou seja, aqueles governos autoritários, como dizendo, mulher não serve, morreu o esposo, a esposa tem que ser queimada viva porque o marido morreu.

Então, para ele, para a gente ver, mas ele primeiro falou do papel da mulher. O papel da mulher, ele diz, em alguns momentos, mais importante que o do homem, porque ela que cria e educa os homens. Então, esse é Allan Kardec. A gente tem que ter medo de pegar a revista, nos deixarmos conduzir por ela. E qualquer dúvida, ir para a codificação. Se ele está falando da mulher, vamos na lei da igualdade. Se ele está falando sobre a tempestade, vamos para a questão das tempestades no livro dos espíritos, fenômenos da natureza.

Então, temos essa visão eclética, essa visão sistêmica, como você bem disse. E a alegria de estar nesta casa, que também nos recebeu, agradecer ao Luiz e a nossa querida Gessiane, os companheiros aqui da mesa, o Júlio, o Tiago, o meu gen, não sou libanês, igual que não, né? E o Dr. Gamarra. E quer falar do Haroldo, da admiração que nós temos do Haroldo pelo seu trabalho, que é um trabalho muito semelhante, porque nós sabemos os anos, Haroldo, que você levou para aquelas notas. E é o trabalho que nós temos que fazer para estudar doutrina espírita.

O que você está fazendo com o Evangelho e com a obra de Chico é exatamente o que devemos fazer na obra kardeciana. Essa seriedade, um tema que, como você coloca no livro Sete Minutos com Emmanuel, um tema que trata em fonte viva, mas ele trata isso no livro da esperança, ele trata isso no romance de Emmanuel, ele trata isso na obra de Humberto de Campos. Esse espírito sistêmico, esse espírito eclético, termos essa visão com Allan Kardec. Quando tenhamos esse estudo abrangente, nós encontraremos essa satisfação, essa emoção que falava o Dr.

Gamarra, essa felicidade de ler Allan Kardec, porque está tudo, mas está pensado em cada uma das 30 obras. Só que uma perola tem que extrair, é um garimpo. E esse trabalho é nosso. Ele já fez, e fez muito bem. Ele é um apóstolo do Cristo, precursor do Cristo. Então nós temos que fazer agora a nossa parte, não podemos amolecer na pesquisa, para nos intitularmos verdadeiros espíritas e viver a doutrina. Essa mensagem final, queria agradecer a Regina pelas colocações dela, que ela tem muita experiência, muita vivência, principalmente com nossos filhos.

Valdovina, não foi uma alegria? Nossa, que felicidade. E a gente espera vários outros episódios aí, para falar. Eu não sei, mas pelo menos quanto a mim, a vontade é de sair correndo agora e abrir uma revista espírita e começar a ler. Porque essa paixão, essa alegria, essa amplitude do Codificador, e deixar aqui o nosso agradecimento ele das Esferas Superiores. Receba aí o nosso obrigado, o nosso carinho e o nosso voto de fidelidade ao trabalho dele, às linhas mestras que ele deixou, para que a gente possa seguir. .

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Transcrição gerada automaticamente a partir do áudio; pode conter pequenas imprecisões.


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